Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer – John McClane vivendo na sombra do passado

Ao longo dos anos o policial John McClane caiu de pára-quedas em diversas situações que envolviam terroristas super-treinados armados até os dentes, que o obrigavam a usar de toda sua engenhosidade e criatividade para lidar com o problema. O típico tira americano tinha como principais características uma impressionante resistência a dor e um senso de humor ácido. A franquia “Duro de Matar” alavancou a carreira de Bruce Willis em Hollywood e divide com “Máquina Mortífera” a responsabilidade de ter redefinido o gênero de ação no final dos anos 80. Agora após três excelentes filmes e um razoável, chega as salas de cinema de todo mundo “Duro de Matar – Um Bom Dia Pra Morrer” que parece ter esquecido a essência básica da franquia.

Roteirizado por Skip Woods, acompanhamos mais um dia atribulado na rotina de John McClane, que durante suas boas e merecidas férias decide viajar para Rússia, a fim de resgatar seu filho que está prestes a ir a julgamento sob acusação de homicídio. Em Moscou, o detetive McClane descobre que seu filho na verdade trabalha para CIA e está envolvido num caso que toma grandes proporções, que pode colocar em risco a segurança global . É claro que John McClane se envolve no caso e junto com seu filho começa a chutar a bunda dos bandidos.

A tática de introduzir uma figura mais jovem (filho ou potencial sucessor) para acompanhar o desgastado herói, está se tronando praxe em Hollywood para ressuscitar franquias de ação consagradas. Nessa situação especifica, sem muito sucesso, pois o roteiro se apega ao clichê de filho revoltado com o pai workaholic que foi sempre ausente, sem se preocupar em criar um contraponto decente entre os dois. O texto se preocupa em descrever momentos de ação grandiosos e tiroteios intermináveis, deixando de lado o desenvolvimento dos personagens. Os vilões são um apanhado enorme de estereótipos e tem o estranho hábito de conversar em russo e inglês ao mesmo tempo.

O diretor John Moore parece perdido dentro daquele universo, mostrando total desconhecimento do que consagrou “Duro de Matar”. Enquanto nos filmes anteriores observávamos John McClane improvisando com o material que tinha, roubando metralhadoras dos inimigos e lidando com a dor devido seus graves ferimentos, agora o detetive aproveita sua munição infinita atirando em direção a tudo que se move e pula de prédios atravessando vidraças sem sofrer nenhum dano aparente.

Moore também não mostra muita destreza ao conduzir as cenas de ação, preferindo adotar uma abordagem mais surreal, conseguindo transformar uma perseguição com três caminhões em um desafio de paciência. O diretor opta por valorizar a ação através de efeitos especiais estilizados e abusa do slow motion, contrariando a abordagem visceral e encardida que consagrou a série.

O detetive McClane de Bruce Willis vive na sombra do passado. Bruce Willis não demonstra o mesmo entusiasmo em seu retorno ao personagem que o consagrou, talvez devido ao péssimo roteiro e a desvalorização de seu personagem. Piadas e bordões consagrados são repetidos com exaustão,sem a mesma criatividade de outrora, mas é a única característica que lembra o velho McClane. Jay Courtney não se esforça em doar carisma ao seu “McClane Jr”, além de não demonstrar nenhuma química com Bruce Willis o que prejudica muito o desenrolar da narrativa.

Antigamente nos divertíamos ao ver o típico tira cabeça dura improvisando nas situações mais adversas, feliz por conseguir uma boa arma e imortalizando a frase “I have a machine gun. Ho ho ho”, mas agora sem nenhum esforço ele rouba um carro que coincidentemente está com o porta-malas lotado de armas de grosso calibre. Vilões horríveis, uma plot twist tosca e meras referência a momentos clássicos são a marca de “Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer”. Espero sinceramente que essa seja a última confusão inesperada na vida de John McClane, pois certamente ele não merece se envolver em mais uma situação vergonhosa que manche sua brilhante carreira.

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