G.I Joe : Retaliação – Muita ação e muitos ninjas

Interessado apenas em explodir coisas, recheado de alívios cômicos exagerados e cheios de personagens que tinham suas personalidades definidas por suas habilidades, “G.I Joe – A Origem de Cobra” recebeu críticas variadas, mas conseguiu cumprir seu objetivo de arrecadar muito dinheiro para a Paramount, confirmando todo o potencial econômico da franquia. Então era óbvio que a adaptação da linha de bonecos Comandos em Ação ganharia uma sequência, mas estava claro que a franquia precisava de uma nova abordagem e o diretor escolhido John M. Chu, até que cumpre as expectativas em “G.I Joe – Retaliação”, mas não consegue contornar problemas visíveis de estrutura do roteiro.

O roteiro desenvolvido pela dupla Rhett Reese e Paul Wernick acompanha Roadblock, Flint e Lady Jane, pequeno grupo de sobreviventes da unidade dos G.I Joes, após um ataque devastador orquestrado pela organização Cobra, que desde o fim do primeiro filme havia se infiltrado no centro do poder dos Estados Unidos. Ao longo da jornada para limpar o nome dos Joes e vingar a morte do Capitão Duke, o grupo acaba se envolvendo numa trama de destruição nuclear que ganha proporções globais.

O filme teve sua estréia adiada em oito meses sob a justificativa de fazer uma conversão 3D, mas teorias da conspiração afirmam que a verdadeira intenção era dar ao personagem de Channing Tatum um pouco mais de destaque devido a seu excelente ano de 2012. A intenção da Paramount de recomeçar a franquia sem aplicar o usual reboot, sempre foi clara, mas eles não contavam que a popularidade de Tatum crescesse tanto, por isso foram filmadas cenas extras com o ator,mas seu destino acabou sendo o mesmo da idéia inicial. Até que essas cenas adicionais acabaram servindo para suavizar essa transição da franquia, passando o bastão a Dwayne “The Rock” Johnson, construindo uma bonita relação de amizade entre Duke e Roadblock.

Um dos maiores problemas da fita é o descaso do roteiro com a construção de seus personagens, salvo Roadblock, Lady Jane e Storm Shadows que ainda tiveram suas motivações minimamente exploradas. Por sinal, Storm Shadows pode ser considerado a síntese de tudo o que está errado no filme. Primeiramente seu retorno do mundo dos mortos é encarado como naturalidade assustadora, pois os roteiristas não se dão ao trabalho nem de explicar a sua ressurreição. Nota-se o dedo podre dos executivos da Paramount nesse problema, que certamente exerceram uma pequena influencia criativa, depois de receberem críticas dos fãs por terem matado o Storm Shadows logo no primeiro filme. Além disso, o texto aposta numa jornada de redenção do personagem, que soa muito forçada.

O fetiche da Organização Cobra por genocídio e destruição de um grande centro urbano também se mostra presente nessa sequência e vem se tornando a marca da franquia. Esse por sinal é um problema grave, pois os roteiristas não se preocupam em criar um clima de luto, minimo que seja, pela morte de milhões de pessoas e nem pensa no impacto que a dizimação de Londres causaria ao mundo. A cena da grande revelação do plano maléfico do Comandante Cobra chega a ser cômica de tão caricata e pelo panorama político atual, acho que fazer piadas que envolvam Coréia do Norte e mísseis nucleares não parece uma boa idéia.

O diretor John Chu egresso de filmes dançantes como Justin Bieber: Never Say Never e Se Ela Dança Eu Danço 2 e 3, mostra bastante competência em seu primeiro blockbuster. O diretor opta por uma abordagem mais séria, sendo um pouco mais contido em relação as tecnologias fantásticas (não usando o exoesqueleto do primeiro filme), dando preferência as táticas e armamentos pesados. John Chu se mostra um profundo conhecedor de sequências de ação, sempre escolhendo os melhores planos para tornar os embates compreensíveis para o espectador não se perder em meio a diversas explosões.

Quanto ao elenco, vale destacar o carisma e a marcante presença física de Dwayne Johnson (aka The Rock) como Roadblock e a gloriosa participação especial de Bruce Willis como o Joe original, que mesmo sem fazer algo muito significativo consegue divertir.

O 3D não chega nem perto de cumprir a expectativa e não justifica o atraso de 8 meses para o lançamento do filme. Limitando-se a infantil estratégia de jogar coisas na cara dos espectadores e são raros os momentos que ocorre a sensação de profundidade de campo.

“G.I Joe – Retaliação” consegue ser superior ao seu antecessor, divertindo o público com cenas de ação muito bem executadas,excelentes efeitos especiais, cenas de lutas bem coreografadas e ninjas. Sim, ninjas são muito importantes e a cena perseguição ninja nas montanhas é tão bem executada que faz valer o ingresso. Então, deixe seu cérebro na entrada da sala de cinema e você se divertirá.

Renan Sena

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