Ícones – Cameron Crowe

Minha principal motivação ao começar o Em Sena era compartilhar minhas experiências cinematográfica com vocês (se é que alguém realmente lê esse blog) e através das analises e recomendações, ajudar o máximo possível nas próximas escolhas para que vocês possam evitar desastres como Lanterna Verde e Fim dos Tempos. Sei que nunca vou ganhar uma medalha por isso, não irão construir uma estatua minha em tamanho real e não vou ter a oportunidade de conhecer o presidente, mas não existe nada mais gratificante do que o sorriso de um amigo após assistir um desses filmes que você indicou e perceber que aquela obra despertou nele os mesmos sentimentos e impressões que você teve quando assistiu pela primeira vez. Como disse Christopher McCandless em Into The Wild: “Felicidade só é possível quando compartilhada”.

Desde o início, nós analisamos os filmes mais badalados dos festivais e os blockbusters que mais fazem sucesso na indústria, mas as coisas vão ficar um pouco diferente a partir de hoje com a estréia da coluna Ícones. Nessa nova coluna, vamos selecionar alguns roteirista, diretores e atores relevantes na indústria cinematográfica e apresentar as obras mais icônicas de sua filmografia. Para confirmar a vibe dessa nova seção do Em Sena, ninguém melhor do o diretor mais uncool de Hollywood – Cameron Crowe.

Muito reconhecido pela crítica, mas com pouco acesso ao grande mercado, Crowe se notabilizou pelos seus filmes baseados em experiências pessoais, sempre centrados em personagens com personalidades marcantes e de fácil identificação com o público. A primeira vista as plots de seus filmes podem parecer banais, beirando o clichê, mas o olhar apaixonado pelas relações humanas desse diretor transforma seus filmes em experiências fantásticas que formam retratos fiéis de pequenos ritos de passagem comuns em nossas vidas.

Jerry Maguire – A Grande Virada (1996)

Após uma epifania moral, o agente esportivo bem- sucedido Jerry Maguire (Tom Cruise), escreve uma declaração de 25 páginas sugerindo que os agentes do ramo passem a ter menos clientes para assim possam construir um relacionamento mais humano com eles, ao invés de tratá-los como mercadorias. Sua opinião não é vista com bons olhos por seus superiores, ele é demitido e aos poucos perde todos seus clientes exceto o temperamental Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.). Agora sem nenhuma estrutura, contando apenas com o apoio de sua ex-funcionária Doroty (Renée Zellweger), Maguire terá que colocar sua nova filosofia em prática para promover seu jogador.

No terceiro filme de sua filmografia, Crowe consegue fugir dos clichês estabelecidos das comédias românticas e dos filmes esportivos, exatamente com essa abordagem mais realista, menos emotiva e mais humanista. Um dos fatores que mais me agradam nesse estilo é a sinceridade, tornando críveis as escolhas dos personagens . Com um roteiro divertido, recheado de tiradas inteligentes e sensíveis, Crowe conseguiu estabelecer a icônica frase “Show me the Money!” na cultura pop e me fez querer dizer para alguém “You had me at hello” (um dia…um dia…)

Se não bastasse o entusiasmo de Tom Cruise e Cuba Gooding Jr. (que recebeu um Oscar de Melhor ator coadjuvante por sua performance) para tornar épica a jornada de redenção e superação de Jerry Maguire, a trilha sonora que conta com The Who, Elvis Presley, Rolling Stones, Paul McCartney  e muitos outros da conta do recado. Jerry Maguire – A Grande Virada é com certeza um dos melhores “feel good movies” já feitos.

Quase Famosos (2000)

O jovem Willian (Patrick Fugit) é um garoto precoce, devido a sua fantástica habilidade em escrever críticas musicais, recebe aos 15 anos um convite da revista Rolling Stones para acompanhar a turnê americana da banda em ascensão Stillwater. Seu mentor intelectual, Lester Bangs (Phillip Seymour Hoffman) tenta lhe ensinar que para viver no mundo do rock o jovem deve ser sincero e impiedoso, evitando ao máximo criar qualquer relação de amizade com os músicos. Mas à medida que a jornada segue e ele vai se relacionando os membros da banda e principalmente com a tiete profissional Penny Lane (Kate Hudson), ele percebe que essa meta é complicada e na verdade ele também quer fazer parte do contexto e ser admirado pelos seus ídolos.

Esse filme é basicamente uma autobiografia do diretor. Assim como o Jovem Willian Miller, Cameron Crowe sempre foi considerado um gênio mirim do rock’n roll que aos 15 anos já fazia parte do quadro de funcionário da Rolling Stone e cobria de perto bandas como The Who, Led Zeppelin (Crowe se tornou um grande amigo de Jimmy Page) e Sex Pistols, só para citar alguns. Ao invés de mostrar um cenário caótico, recheado de excessos de sexo, drogas e álcool que seria típico para retratar o rock dos 70, ele opta por um olhar nostálgico e leve mesmo nos momentos críticos.

Todo esse contexto musical serve como um excelente pano de fundo, pois a verdadeira história é algo menor e mais intimista – o difícil processo de passagem da adolescência para a vida adulta de um garoto solitário, filho de mãe solteira e superprotetora. É com extrema habilidade que o diretor vai nos convertendo ao longo da projeção a medida que acompanhamos o processo de amadurecimento de seu personagem ao som de muita música boa. Como a trilha sonora desse filme é fantástica – Led Zeppelin, Elton John, Black Sabbath, The Who e Neil Young só para citar alguns. Te desafio a assistir esse filme e não ficar com um sorriso no rosto.

Tudo Acontece em Elizabethtown (2005)

Drew Baylor (Orlando Bloom) é um jovem promissor designer de tênis esportivos, mas após provocar um prejuízo de US$ 972 milhões à empresa devido a uma de suas criações ele é demitido. Decidido a cometer suicídio depois desse fiasco de proporções gigantescas, seus planos são adiados quando ele recebe a noticia da morte de seu pai e a pedido de sua família ele viaja para Elizabethtown, sua cidade natal, a fim de fazer os preparativos para o funeral. No vôo, ele conhece a comissária de bordo Claire (Kirsten Dunst) que o ajuda a modificar sua maneira de ver o mundo para superar as provações que virão.

Muitos podem não concordar comigo e achar que esse longa se afoga em clichês, mas todos os elementos desse filme remetem a um lugar de aconchego que nos ajuda a encarar nossos erros de outra maneira. Com um tom perfeito, o roteiro consegue com uma abordagem leve elevar o moral e motivação de qualquer espectador através de seus personagens apresentados de maneira que o público possa se identificar com facilidade. Cameron Crowe sabe a chave do coração das pessoas comuns.

Orlando Bloom, mesmo com sua notória falta de habilidade, não compromete em sua performance, mas vale destacar a atuação de Kirsten Dunst roubando a cena. Dotada de um carisma enorme, a atriz esbanja simpatia na construção de sua personagem, tornando muito fácil que o público compre a ideia da paixão dos protagonistas. É ela a responsável pela fantástica road trip de Drew, embalada por uma fantástica playlist. Não poderia faltar em um filme do Cameron Crowe uma trilha sonora fantástica (Tom Petty, Ryan Adams, Elton John, U2 e muitos outros). Nesse filme ela assume um papel ainda mais importante ao ditar o ritmo e evocar as emoções ao longo das cenas-chave – artifício que o diretor usa como nenhum outro.  Um filme que é mais do que demonstra ser.

Obs.: Vale dar uma conferida no site pessoal do diretor. Lá você vai encontrar alguns artigos que ele escreveu para a Rolling Stones e coisas relacionadas a seu trabalho no cinema. http://www.theuncool.com/

Renan Sena

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3 comentários sobre “Ícones – Cameron Crowe

  1. Moço, muito boa a iniciativa dessa coluna! Parabéns pelo texto, e adoro Elizabethtown 😉

    • Valeu Carol, a ideia é fugir um pouco dos blockbusters e apresentar alguns filmes menores. Façam recomendações para as próximas figuras que vocês querem ver aqui na coluna

  2. Flávia Bezerra

    Adorei a coluna – Ícones. Parabéns!!!

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