Thor: O Mundo Sombrio – Filme digno de um Deus

A adaptação de Thor para os cinemas, certamente era vista com desconfiança e receio pela maior parte das pessoas. Introduzir uma divindade num universo que estava sendo construído pautado em algo aproximado a ficção cientifica, foi a tarefa incumbida a Kenneth Branagh que com seu estilo shakespeariano fez o que antes era considerado impensável. Agora que o grande público tinha sido apresentado ao personagem em seu filme solo e ido ao delírio com  sua participação e de seu irmão problemático em Os Vingadores, estava na hora do Deus do Trovão ter um filme digno de sua importância.

A primeira escolha da Marvel para comandar a sequência foi Patty Jenkins, mas por algumas diferenças criativas com a Casa das Idéias, ela logo foi substituída por Alan Taylor (conhecido por dirigir os melhores episódios de “Game of Thrones”, “Roma”, The Sopranos” e “Mad Men”). Mesmo com a troca de comando, a produção passou por diversas turbulências como a insatisfação do diretor com partes do roteiro (com Joss Whedon sendo chamado as pressas pra resolver o problema), cortes, refilmagens e adição de algumas cenas. Com todos esses problemas era de se imaginar que o produto final ficasse aquém dos filmes da Marvel Studios, mas o resultado foi Thor – O Mundo Sombrio um dos filmes mais equilibrados até então.

Roteirizado por Christopher Yost, Christopher Markus e Stephen McFeely (parceiros de longa data da Marvel), vemos Thor (Chris Hemsworth) tendo que lidar com as conseqüências da sua última batalha com Loki. Com a Bifrost destruída, o resto dos nove reinos não contava mais com as forças asgardianas para manter a paz, então o resultado foi a anarquia e as guerras que se espalharam por toda Yggdrasil. Após a Batalha de Nova York, Thor retorna a Asgard e com a ajuda de seus amigos, viaja pelos nove reinos para promover a ordem.

Enquanto isso Malekith (Christopher Eccleston), líder dos elfos Negros, desperta de seu sono 5 mil anos, a fim de devolver a escuridão ao Universo e por fim a vida existente nele. Para isso ele precisa se apoderar do Éter, sua arma suprema que foi acidentalmente encontrada por Jane Foster (Natalie Portman), enquanto explorava uma falha dimensional ocasionada pelo alinhamento dos universos – coincidência né? Tudo converge para que parcerias improváveis se formem para impedir que o mundo seja coberto pela escuridão.

De primeira notamos mudanças impactantes na escala do longa. Enquanto boa parte do primeiro filme era situada na Terra, Alan Taylor se aproveita para explorar boa partes dos nove reinos, desenvolvendo mais profundamente Asgard e toda a sua mitologia. Cada aspecto da civilização asgardiana é desenvolvido graças a um fantástico trabalho de design de produção que através de um conceito sci-fi/medieval repensa toda a arquitetura, figurinos e armas do Reino Eterno.

Loki sendo badass

Loki sendo badass

Essa mudança de tom não é apenas visual, reflete também nos aspectos narrativos. Alan Taylor consegue equilibrar elementos dramáticos e cômicos, derrapando pouquíssimas vezes e tendo êxito em aproveitar ao máximo o seu talentosíssimo elenco. Concentrando os momentos dramáticos mais fortes no núcleo asgardiano, finalmente vemos Antohny Hopkins, como Odin, e René Russo, como Frigga, participativos e com seus personagens ganhando grande importância na trama. Idris Elba (Heimdal), Jaimie Alexander (Lady Sif), Ray Stevenon (Volstagg), Zachari Levy (Fandral) e Tadanobu Asano (Hogun), cada um tem seu momento de brilho e pequeno arco satisfatoriamente desenvolvido no longa.

Jaime Alexander, sua Desa, me leva pra Valhala! <3333

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Enquanto isso no núcleo na Terra, Kat Dannings, como Darcy, e Stellan Skarsgard, como Dr Selvig (que desenvolveu uma estranha aversão por calças) servem exclusivamente para os muito oportunos alívios cômicos ao longo da projeção. Ao contrário de outros filmes #cof#Homem de Ferro 3#cof#, a comédia é muito bem dosada e usada nos momentos certos para aliviar a tensão, mas sempre é dado um tempo necessário para o público processar uma perda e sentir a gravidade de determinada ameaça. O texto também cumpre com sua cota de referências ao universo Marvel (uma especifica é tão inesperada que te fará gargalhar por um bom tempo)

Ainda falando dos personagens terra, Jane Foster ainda não encontrou seu lugar dentro da trama. Natalie Portman, não consegue explorar nem um pentelésimo de seu talento, devido a fragilidade e as coincidências preguiçosas do roteiro para desenvolver as situações propostas para a sua personagem. Não fosse sua boa química com Chris Hemsworth, esse relacionamento amoroso ficaria difícil de ser compreendido.

Chris Hemsworth vem demonstrando a cada filme, sua evolução como ator, acompanhando de perto o amadurecimento de Thor como personagem. Aumentando o nível da umidade relativa do ar a cada aparição (as pepekas vão a loucura), o australiano vem mostrando seu valor nessa fase mais responsável e séria do personagem. Sua química com Tom Hiddlestone certamente é a característica mais marcante do longa. Vai por mim, só pelo fato de não ser ofuscado por Hiddlestone, o cara já merece elogios.

A primeira metade do longa se desenvolve de maneira bem orgânica e satisfatória, dando ao público  a oportunidade de reconhecer o Malekith e o Kurse como ameaças. Christopher Ecclestone é bastante eficiente em se estabelecer como vilão, por mais que suas motivações sejam rasas, o britânico compensa com sua postura e tom voz ameaçador. Mas não tem jeito, a partir do momento que Loki entra em cena, todos os olhares se voltam para o Deus da Trapaça. Tom Hiddlestone mistura ironia e raiva na composição do seu complexo vilão (que nesse filme se torna quase que um anti-herói). Com seu estilo único, o ator consegue transcender a barreira de simples intérprete ao conferir uma personalidade tão forte que o personagem parece criar vida própria. Não tem como não amar odiar esse personagem.

Com cenas de ação em escala épica, humor dosado e engraçadissimo, peso dramático e desenvolvimento de personagens que vão repercutir no Universo Cinematográfico Marvel a curto e a longo prazo, Thor – O Mudo Sombrio pode ser considerado como, de fato, o ponto de partida para a fase 2. Finalmente um filme digno do filho de Odin!

Obs1: Fiquem até o fim, tem duas cenas pós-créditos sensacionais. A primeira faz ligação direta com “Guardiões da Galaxia” e a segunda vale pela piada.

Obs 2.: Dispensem o 3D.

Renan Sena

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Um comentário sobre “Thor: O Mundo Sombrio – Filme digno de um Deus

  1. eu acho que deveriam fazer um filme ´sobre o loki , porque ele é melhor que o thor. e gostaria de fazer parte de um fã club brasileiro dele

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