Capitão Phillips – Tom Hanks entrega uma das melhores performances de sua carreira

Yoho yoho a pirate’s life for me! Não deve ter nada mais emocionante do que embarcar num navio, desbravando os sete mares atrás de riquezas em aventuras regadas a rum… pehhh (onomatopeia de campainha). A pirataria não é algo tão glamouroso e aventuresco como muitos pensam. No século XXI essa prática de tocar o terror nos oceanos, se tornou habitual na região do Chifre da África, principalmente por grupos de somalianos que pressionados pelos warlords locais, sequestram navios e cargas valiosas ou sua família é estuprada e assassinada (não necessariamente nessa ordem).

Um dos casos de pirataria contemporâneos que ganharam mais destaque na mídia é o do sequestro do navio americano Maersk Alabama, por um grupo de 4 piratas somalis. Essa história rendeu no livro O Dever do Capitão (escrito pelo próprio cpt. Richard Phillips), que despertou o interesse do conceituado diretor Paul Greengrass e Tom Hanks, que decidiram adapta-la para os cinemas em Capitão Phillips. O roteiro de Billy Ray (Jogos Vorazes) nos apresenta a Richard Phillips, um experiente capitão da marinha mercante americana, durante sua viagem pela costa da Somália. A calmaria se transformou em tensão no momento que o cargueiro comandado por Phillips foi abordado por dois pequenos barcos com somalis armados até os dentes. Mesmo adotando todas as táticas de segurança, quatro piratas conseguiram subir a bordo, ameaçando a vida de todos os tripulantes exigindo dinheiro. Quando pensa que conseguiu negociar com os piratas, o capitão é levado como refém durante a fuga. Cabe aos militares americanos, negociar com os sequestradores antes que seja tarde demais.

Um dos maiores trunfos logo no inicio do longa é na apresentação dos dois capitães. Somos apresentado ao detalhista Richard Phillips, um homem honesto e tradicional que possui o respeito de sua tripulação. Também acompanhamos os preparativos dos piratas, descobrindo o motivo deles se renderem a práticas criminosas. Paul Greengrass nos mostra as motivações dos personagens e adota uma postura imparcial, se atendo apenas a narrar os fatos em um estilo de narrativa quase documental.

Entreguem logo o Oscar pro Tom Hanks

A escalação de atores desconhecidos (com exceção de Tom Hanks), a ambientação e principalmente a fotografia fortemente granulada, priorizando o uso de câmeras manuais contribuem para agregar verossimilhança ao tom documental adotado pelo diretor. Greengrass, como de costume, conduz de maneira a aumentar o ritmo da narrativa de maneira progressiva. O filme começa de maneira vagarosa, apresentando os personagens, mas depois disso doses cavalares de tensão são adicionadas e o longa se desenrola numa mistura de emoções a flor da pele até o fim. O diretor conta com a contribuição do seu competente montador, Christopher Rouse, que com seu estilo frenético torna a experiência do espectador ainda mais angustiante.

A escalação de Barkhad Abdi para assumir o papel do líder dos piratas, Muse, é mais um dos acertos do filme. O somaliano cabeça de nós-todos, além de dotado das característica físicas necessárias para nos convencer dos motivos de suas escolhas, possui aquele olhar vago, capaz de causar calafrios. Sua atuação crível  ajuda a conferir tanta tridimensionalidade ao seu personagem, que cria um estranho laço de empatia. Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed e Mahat M. Ali também se destacam.

Somaliano cabeça de nós-todos em sua performance assutadora

Somaliano cabeça de nós-todos em sua performance assutadora

O filme não seria o mesmo sem a presença de Tom Hanks. Em sua melhor atuação, pelos menos nos últimos 10 anos, Hanks mostra o porquê é um dos atores mais fantásticos em atividade (não é uma hipérbole, realmente acho isso). Seu Richard Phillips é um homem integro e com forte convicções sobre o cumprimento de seu dever e responsabilidades de manter a tripulação em segurança, mas é o lado humano da construção do personagem que se destaca. Hanks explora todas as nuances possíveis da personalidade do seu personagem a medida que seu arco se desenvolve, mas é quando se entrega ao medo e ao desespero para se manter vivo, que o experiente ator (indicado ao Oscar de 2014, com certeza) consegue nos deixar angustiado. Nos 10 minutos finais, a performance de Tom Hanks é tão assustadora, que se dependesse de mim, já podia gravar o nome dele numa estatueta do Oscar.Vale destacar também a fantástica trilha sonora de Henry Jackman, que ajuda a ditar o ritmo de tensão do longa.

Acompanhamos durante duas horas, atentos, angustiados e sofrendo juntos com Capitão Phillips. Beleza, sabemos que o cara sobreviveu e até escreveu um livro narrando o acontecido, mas a qualidade da produção é tanta que nem paramos para pensar nisso. Méritos para a dupla Hanks/Greengrass que conseguem transmitir emoção, nesse filme memorável.

Renan Sena

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Um comentário sobre “Capitão Phillips – Tom Hanks entrega uma das melhores performances de sua carreira

  1. Hummm me deixou com água na boca pra assistir o filme! Vou conferir!

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