Carrie: A Estranha – Um dos remakes mais equivocados já feitos

Dois anos após sua publicação, Carrie – A Estranha, primeiro romance escrito por Stephen King, logo ganhou sua adaptação cinematográfica. Sob a tutela de Brian De Palma, a adaptação se mostrou digna do material original, fazendo um profundo estudo de temas como bullyng, sexualidade e fanatismo religioso. O filme se tornou cult e estabeleceu a personagem como um ícone da cultura americana. Além da versão de 1976, o livro foi adaptado mais uma vez em 2002, no telefilme estrelado por  Angela Bettis e Emilie de Ravin (a eterna Claire de Lost). Como você pode perceber, Carrie White não é tão estranha assim ao grande público, portanto a diretora Kimberly Peirce sabia que não teria vida fácil ao aceitar dirigir esse novo remake.

O roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa e Lawrence D. Cohen nos apresenta a Carrie White (Chloë Grace-Moretz), uma jovem que não faz muitos amigos por conta do estilo de vida imposto por sua mãe, a fanática religiosa Margareth (Julianne Moore). Sua inocência e falta de informação tornam-se motivos para que suas colegas a humilhem em um incidente. Sue Snell (Gabriella Wilde) logo se arrepende por zombar da jovem, então numa tentativa de reparar seu erro, pede que seu namorado Tommy Ross (Ansel  Elgort) a convide para o baile de formatura.   Mas Chris Hargensen (Portia Doubleday), proibida de ir a festa após o episódio de bullyng, prepara uma armadilha e pretende ridicularizar Carrie em público.

A premissa é basicamente a mesma de todas as outras adaptações, mas as metáforas que marcaram o material original ficam de fora, dando espaço a tentativas falhas de inserir elementos que modernizem a história. A abordagem ao cyberbullyng e as referências a atualidades soam tão forçadas e desesperadas que causam certo desconforto.

Todo o arco de construção da personagem como produto do bullyng e da intolerância de uma sociedade ancorada em crenças religiosas, é deixado de lado. O foco é em uma jovem descobrindo seus poderes sobrenaturais e em sua jornada de vingança. Esse desespero por querer justificar o orçamento com efeitos especiais usados nos poderes é tão grande, que o desenvolvimento da personagem é deixado de lado. Acompanhamos a personagem por mais tempo levitando livros e quebrando coisas, do que conhecendo profundamente suas motivações.

De boas aqui, destruindo a cidade

Bitch, I’m fabulous!

O filme se desenvolve num ritmo cadenciado, sem explorar a sexualidade tão presente no material original. Kimberly Peirce pretende alcançar um público menos pensante, isso fica visível pelo seu estilo de condução. São muitos momentos desnecessários, mas destaco a montagem dos adolescentes dançando e se arrumando para a noite do baile como uma das coisas mais aleatórias que vejo em tempos.

A sequência final é a prova da cafonice e da falta de entendimento da diretora. Após receber um banho de sangue de porco (aka geléia de morango), Carrie de uma hora pra outra domina por completo seus poderes sobrenaturais e se diverte ao promover o massacre de seus colegas. Sim, a menina esquisita apresenta uma expressão sádica em seu momento de vingança, que é recheado de cenas apelativas com um CGI mais do que óbvio.

A própria escalação da Chloë Moretz foi um equivoco, não apenas por ser bonita. A atriz que despontou após o sucesso de sua Hit-Girl em Kick Ass, até se esforça em parecer esquisita e tenta nos convencer com suas expressões de sofrimento, mas não rola. Fica difícil conferir verossimilhança a personagem tamanha a beleza da jovem atriz. A construção da vilã Chris Hargensen também desagrada. A personagem apresenta uma série de conflitos desnecessários na hora de aplicar seu plano, sendo influenciada por seu namorado a seguir em frente.  Em alguns momentos é difícil dizer quem é o principal vilão da história, o que é estranho, pois a principio o rapaz não tem nenhuma motivação crível.

A explicação do porquê a Carrie é estranha

A explicação do porquê a Carrie é estranha

A mãe de Carrie é o que há de mais assustador no filme, graças à atuação monstruosa de Julianne Moore. Com seus olhares e expressões insanos, são suficientes para compreendermos a estranheza da Carrie. A atuação de Moore é de longe uma das poucas coisas que se salvam nesse remake.

No fim das contas esse novo  Carrie – A Estranha, não passa de uma tentativa frustrada de modernizar a história icônica criada por Stephen King e não tem êxito ao justificar a sua existência.  Esse é apenas mais um dos muitos remakes desnecessários que a indústria produz em seu momento de crise de criatividade.

Renan Sena

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3 comentários sobre “Carrie: A Estranha – Um dos remakes mais equivocados já feitos

  1. Cara, pelo visto você não leu o livro né ? :/

  2. Pudim Com Biscoito

    Gente, eu amei o filme independente de tudo, gostei da publicação mas a foto da Carrie escrito “Bitch i’m Fabulous” foi O MELHOR DE TUDO :v ❤

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