Frozen: Uma Aventura Congelante – Subvertendo clichês, mas com cara de clássico

Dos clássicos de Walt Disney à era de ouro (anos 90) comandada pelo lendário Don Hahn, as animações da Disney foram marcantes para a formação de diversas gerações. O estúdio estava passando por uma certa crise para se adaptar  a esse período de transição entre a animação 2D para a 3D, mas desde que John Lesseter (gênio por trás da PIxar) assumiu o comando do Walt Disney Animation Studios as coisas mudaram. Durante esse período, a história da Rapunzel foi revitalizada em Enrolados e presenciamos o choque entre mídias na animação inspirada em games, Detona Ralph. Agora, Jennifer Lee e Chris Buck adaptam livremente o conto “A Rainha de Gelo”, do dinamarquês Hans Christian Anderson, em Frozen: Uma Aventura Congelante. Um longa que já nasceu para ser considerado um dos clássicos do estúdio.

 O roteiro da própria Jennifer Lee nos mostra a jovem princesa Elsa, uma jovem que nasceu com misteriosos poderes sobre o frio e o gelo, que após atingir sua irmã caçula por acidente, se torna uma menina reclusa. Após a morte do rei e da rainha num naufrágio e de passar anos em solidão por temer ferir alguém com seus poderes, Elsa está prestes a ser coroada como soberana de Arendelle. No dia da coroação, porém a nova rainha perde o controle e faz desabar uma poderosa nevasca e foge rumo às montanhas. Cabe então a atrapalhada princesa Anna partir em busca de sua irmã, mas ela não está sozinha. Na companhia do vendedor de gelo Kristoff, da rena Sven e do boneco de neve encantado Olaf, ela parte numa aventura para salvar o reino de Arendelle.

O longa flerta com os mais conhecidos clichês estabelecidos pelo próprio estúdio ao longo dos anos, mas nos surpreende a todo momento por subverter todas essas convenções estabelecidas. O texto brinca a todo momento com a idéia de “amor perfeito”, explorando a ingenuidade da princesa Anna que se entrega a idéia de ter encontrado o homem de seus sonhos. Alguns personagens até questionam a bizarra decisão da moça se casar com um homem que acabou de conhecer. O longa parece que vai se entregar a um clichê a cada segundo, mas pega sempre o espectador desprevenido, sem nunca cair no lugar-comum.

Visuais embasbacantes são uma marca de Frozen

Visuais embasbacantes são uma marca de Frozen

Além disso, a própria construção da personalidade das duas princesas foge bastante de qualquer coisa pré-estabelecida do gênero. O desenvolvimento das duas protagonistas possui uma poderosa carga dramática desde a sua apresentação no emocionante prólogo. As duas são individualizadas tanto no visual quanto em suas fortes personalidades. Elsa é uma personagem bastante complexa, pois passou anos reprimindo seus poderes, encarando-os como uma maldição e eventualmente assume um papel de antagonista, mas não por ser má ou por nutrir qualquer sentimento de vingança. Enquanto isso, Anna é construída como uma jovem sonhadora e ansiosa por ver o mundo além dos portões de Arendelle. O contraponto entre as duas é reforçado visualmente na composição de suas características físicas e de figurino.

Outros personagens secundários têm seus arcos dramáticos explorados e nos importamos com eles ao longo da aventura. O destaque mesmo é o simpático boneco de neve, Olaf. Além de simbolizar um elo importante entre as duas protagonistas, Olaf é construído de maneira carismática e nos diverte com sua fascinação pelo verão, ignorando que o calor pode representar seu fim. Vale destacar o excelente trabalho de dublagem de Fábio Porchat na versão brasileira, pois ator demonstra enorme desenvoltura e talento ao personificar o amalucado boneco de neve.

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O carismático Olaf

As músicas, marca registrada dos filmes de contos de fada da Disney, são extremamente importantes para o desenvolvimento da narrativa e para a evolução dos seus personagens. Composta por Kristen Anderson-Lopez em parceria com seu marido, Robert Lopez, as canções são belíssimas, com destaque para “Let it go” – uma icônica sequência em que Elsa finalmente se liberta, explorando a beleza da natureza de seus poderes.

O designer dos personagens se assemelha bastante aos de Enrolados, mas assume uma identidade própria e impressiona pelo fantástico trabalho da equipe de animadores. A qualidade artística na construção dos mais deslumbrantes cenários, que vai da bela floresta congelada ao fascinante castelo de gelo é de um esmero técnico indescritível. Explorando ao máximo uma paleta de cores frias, predominando o branco e azul,cada cenário possui sua característica marcante de forma que o conceito nunca se torna repetitivo.

 Frozen: Uma Aventura Congelante foi concebido e já pode ser considerado como um mais novo clássico do estúdio. Explorando elementos clássicos e icônicos estabelecido pelo estúdio ao longo do tempo, o filme é marcado por princesas que refletem perfeitamente essa nova geração de mulheres fortes e independentes. Subvertendo conceitos batidos e demonstrando que existem demonstrações de amor mais poderosas do que uma devoção cega, temos o conto de fadas ideal do século XXI.

Obs.: Cheguem cedo para conferir o fantástico “Hora de Viajar”, um fantástico curto que mistura elementos clássicos  com animação computadorizada 3D. É um excelente exercício de linguagem visual que promove um passeio pela evolução da animação. Sem falar do fantástico uso da tecnologia 3D.

Renan Sena

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