Loucuras em Série – Teen Wolf: Romance Adolescente ou Thriller Psicológico?

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Num mundo onde você assiste mais série do que você consegue se dar conta, e a grande maioria tem um enredo rico e complicado, cheio de plot twists e cliff hangers psicopatas que te dão um pouco de dor de cabeça, é fácil sentir vontade de assistir algo que você vá buscar por puro entretenimento. E nesse mundo onde para muitas pessoas (eu inclusa) até comédias tem que ser extremamente bem elaboradas e inteligentes pra serem engraçadas, foi difícil achar algo que eu pudesse assistir, sem me envolver a princípio, e foi no meio dessa busca que eu me deparei com Teen Wolf.

Teen Wolf é uma série inspirada no filme clássico dos anos 80 estrelado por Michael J. Fox (que por sinal, foi um dos primeiros amores platônicos da minha vida) e, diga-se de passagem, os efeitos da transformação dos personagens em lobisomens se assemelham muito aos efeitos bem trash do filme de quase trinta anos atrás. E esse foi um dos motivos que me levou a ver a série.

A série gira em torno do personagem Scott McCall (Tyler Posey), um adolescente normal, da cidade de Beacon Hills. Scott não é popular, asmático e passa despercebido a maior parte do tempo, até que é mordido pelo lobisomen Peter Hale (Ian Bohen).
Peter faz parte do clã Hale, onde ser lobisomem é genético, e teve a casa da família queimada por Kate Argent (Jill Wagner) – que faz parte de uma família de caçadores de seres sobrenaturais – após a jovem ter namorado o sobrinho de Peter, Derek (Tyler Hoechlin) afim de juntar informações sobre os Hale e então dizimá-los.

Com todos os outros membros de sua família mortos e sem conhecimento da localização de Peter, acaba sobrando para Derek a tarefa de guiar Scott em seu momento de transição. A principio o adolescente o culpa pela transformação até que Derek explica que ele foi mordido pelo “Alfa”, que é uma espécie de chefe da matilha de lobisomens. O garoto, que já não sofre mais de problemas respiratórios por consequência da mordida, agora se torna um dos principais jogadores do time de Lacrosse, e assim chama a atenção da garota nova na escola, Allison Argent (Crystal Reed), que está voltando para Beacon Hills com o pai e a mãe, sem conhecimento real do porquê ou do que sua família realmente faz.

Eu estava procurando mesmo uma série de baixo orçamento, com atores ruizinhos, um roteiro dispensável, efeitos porcos e sem qualidade de produção. E é isso que a primeira temporada me ofereceu, salve alguns momentos aonde a qualidade dos atores vai muito além da produção da série, e algumas piadinhas boas no roteiro, que são frequentemente protagonizadas pelo personagem Stiles (Dylan O’brien), melhor amigo de Scott, que fica marcado por sua personalidade sarcástica. A série foi um estouro em grande parte por causa disso, um elenco atraente e extremamente carismático de pessoas razoavelmente desconhecidas, e uma trama previsível – casal de jovens apaixonados vivendo um amor perigoso -, mas que agrada ao público massa de jovens adolescentes que são as principais telespectadoras da rede MTV.

Na segunda temporada o casal de protagonistas Scott e Allison, passam por dificuldades ainda maiores – mas não menos previsíveis -; a garota agora tem conhecimento que sua família é um clã de caçadores e seus pais decidem poupar a vida do protagonista levando em consideração os sentimentos da filha, a pouca idade do garoto e o fato dele nunca ter machucado ninguém apesar de ser lobisomem, mas ainda assim proíbem o namoro. Não que isso impeça que os dois continuem a se encontrar em segredo, obviamente.

Por enquanto a trama previsível se propaga, com alguns aspectos mais surpreendentes em paralelo e uma pequena mostra do suspense psicológico que a série vem se tornando a partir da primeira fase de sua primeira temporada. A melhora na qualidade do roteiro é evidente: finalmente o enredo exige a capacidade de seu elenco, que apesar de jovem tem talento. O elenco secundário, não só o adolescente, mas também o composto por atores mais velhos, recebe um destaque maior e o mistério que permeia a temporada é mais interessante. Assuntos menos banais também são explorados, doenças mentais, vários aspectos da relação entre pais e filhos como abuso, negligência e a cobrança de expectativas surreais, além de aspectos escolares como bullying e exclusão de pessoas por deficiências físicas. E você já se vê apegado aos personagens de uma maneira bem menos superficial do que na primeira temporada da série.

O verdadeiro baque chega com a terceira temporada. O casal principal, agora separado devido a inúmeras complicações, se desenvolve como personagens a parte, ambos se tornando mais interessantes, mesmo que ainda nem de longe os personagens mais interessantes da série. Coisa que fica a cargo de Stiles e Lydia (Holland Roddan), que interpreta a melhor amiga da Allison, uma das garotas mais bonitas da escola e a mais inteligente, que já recebe um foco maior a partir da segunda temporada, onde ela é a personagem chave pra uma das reviravoltas mais importes desta.

A série explora vários aspectos do psicológico humana, levando seus personagens a extremos não antes retratados. Sacrifício, superação e manipulação são temas recorrentes e o suspense finalmente começa a ser retratado com seriedade, o que traz credibilidade a série e prende o telespectador que consegue, finalmente, se envolver com a trama. O destaque no relacionamento pais e filhos é ainda maior, e junto a isso temos pela primeira vez um episódio especial com flashbacks sobre o passado de Derek Hale que vem para responder a algumas perguntas antigas dos fãs e traçar um paralelo ao momento atual da história.

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A terceira temporada também é a primeira temporada que foi encomendada como full season (22-24 episódios) – diferente do formato de suas anteriores que foram exibidas no formato de half season (10-14 episódios) – e foi dividida em duas partes que os fãs têm atribuído os nomes de 3A e 3B. Na divulgação da segunda parte – que está no ar agora – já pudemos ver que 3A nos deu apenas um gostinho do suspense psicológico que estava por vir em 3B. A frase escolhida para ser usada durante a campanha promocional, “Lose Your Mind”, já dita o tema dessa fase da temporoada, que em quatro episódios já mostrou um nível de qualidade muito mais alto do que muito fãs imaginaram que a série sequer fosse alcançar algum dia.

A série continua sendo sobre adolescentes? Sim. Continua tendo romance? Também, mas a trama previsível que assombrou a primeira temporada fica longe da realidade do que a série é hoje em dia. Com um roteiro que desafia os atores a darem o melhor de si – e melhorarem -, momentos completamente imprevisíveis, uma sensação constante que tem alguma coisa que você não está conseguindo enxergar, junto com uma trilha sonora marcante – que é uma das poucas coisas que nunca faltou a série (o que faz sentido quando lembramos que é uma série produzida pela MTV) -, a trama vai muito além da série boba e previsível que ela já foi uma vez, três temporadas atrás.

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Um comentário sobre “Loucuras em Série – Teen Wolf: Romance Adolescente ou Thriller Psicológico?

  1. Muito boa a análise, Rachel. No início fiquei com um pé atrás em assistir a série, por ser da MTV e tal (um pouco de preconceito, rs) mas resolvi começar e não me arrependi. Boa demais! I’m losing my mind 🙂

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