Hércules 3D – Zeus está vendo a merda que vocês estão fazendo

Em tempos em que Hollywood parece se afundar em uma enorme crise de criatividade, onde vemos cada vez mais remakes e adaptações chegando às telas de cinema, se tem uma coisa que nunca sai de moda são as versões cinematográficas dos mitos da Grécia Antiga.  Nos últimos anos tivemos experiências terríveis com filmes como Imortais e Fúria de Titãs 1 e 2, então pensamos que a  situação não podia piorar, eis que surge Hércules 3D dirigido por Renny Harlin (Duro de Matar 2) para nos provar que as coisas sempre podem ficar pior.

O roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Sean Hood, Daniel Giat e Giulio Steve (não consigo entender como 4 pessoas conseguiram escrever algo tão desastroso) narra a história do príncipe Alcides, que por conta de sua paixão proibida pela princesa Hebe (Gaia Weiss), é traído pelo rei Anfitrião (Scott Adkins) e seu irmão Ificles (Liam Garrigam). Enviado para morrer no Egito, o herói  consegue sobreviver, mas é capturado e enviado para lutar nas arenas como gladiador. Decidido a retornar a Grécia a fim de evitar que sua amada se case com outro homem, Alcides acaba por aceitar sua verdadeira origem e agora como Hércules, filho de Zeus, ele parte em uma  jornada para por um fim a tirania do rei.

Caro leitor, acredito que só por essa sinopse você já esteja bastante desmotivado para assistir esse filme, mas continue lendo, por favor.

 Não é necessário ser nenhum especialista em mitologia grega para atestar que o longa só usa elementos periféricos do mito do filho mais famoso de Zeus. Com o único objetivo de “Crepusculizar” o mito, o foco do texto é na jornada do herói que luta contra tudo e contra todos para proteger o seu amor. A escalação de Kellan Lutz (famoso por interpretar o vampiro Emmett na saga Crepúsculo) reafirma essa intenção do estúdio. O ator, apesar de estar fisicamente apto para o papel, não demonstra um pingo de carisma e consegue ser tão expressivo como uma tábua de madeira. Não existe química nenhuma entre o protagonista e seu interesse amoroso, interpretado pela bela Gaia Weiss, o que torna o romance dos dois em algo completamente descartável.

Os momentos de ação não conseguem passar de tentativas desesperadas de emular 300, a série Spartacus e a até mesmo o game God of War. O diretor abusa do slow-motion em sequências de batalhas conduzidas de forma terrível. Apesar de toda a “violência” das lutas, não vemos uma gota de sangue sequer ao longo de toda projeção.

Não, isso não é uma imagem da série Spartacus

Não, isso não é uma imagem da série Spartacus

O departamento de direção de arte se mostra deveras confuso e demonstra um profundo desconhecimento entre a Grécia e a Roma antiga, em seus caóticos conceitos de design dos ambientes e dos figurinos dos personagens. O longa reaproveita tantos conceitos visuais de épicos consagrados, como a fotografia abusando dos tons sépia, que consegue soar tão desesperado quanto filmes-sátira como Espatalhões.

Os datados efeitos especiais do mestre Hail Harryhausen conseguem parecer mais críveis do que as abominações criadas por computação gráfica desse filme. Já assisti fan-films que tiveram muito mais esmero na concepção das suas criaturas digitais do que esse longa de orçamento considerável. A profundidade de campo proporcionada pelo 3D é tão artificial que é capaz de fazer o espectador sair da sala de cinema e ir procurar a farmácia mais próxima para tomar um analgésico.

Kellan Lutz seduzindo com seus seios

Kellan Lutz seduzindo com seus seios

Depois de assistir Hércules 3D você definitivamente irá reavaliar seus conceitos e perceber que aquele seriado trash que passava no SBT não era tão ruim assim. Não é apenas a plot ruim, as cenas de ação mal executadas ou os péssimos efeitos especiais… não consigo levar a sério um filme em que o protagonista tem seios maiores do que a mocinha! Esse filme sem alma marca o fundo do poço da carreira de Renny Harlin e já é forte candidato ao Framboesa de Ouro 2015.

Obs.: Se você ainda espera assistir um filme decente do Hércules esse ano, torça para que Hércules: Thracian Wras,  dirigido por Brett Ratner e protagonizado por Dwayne “The Rock” Johnson, traga um pouco de dignidade ao semi-deus maios famoso do Olimpo.

Renan Sena

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s