Capitão América: O Soldado Invernal – Thriller político super poderoso

Ao contrário do que muitos pensam, o Capitão América não se define como pura propaganda de um ideal patriótico. Mesmo com um nome e uniforme ufanistas, o Sentinela da Liberdade foi obrigado a se adaptar a esse universo cinzento onde os inimigos não são tão facilmente identificáveis, servindo como uma figura antagônica e questionadora em relação ao governo americano. As melhores histórias do bandeiroso foram desenvolvidas nesse contexto menos inocente e dessa forma que Capitão América: O Soldado Invernal se chega aos cinemas, mas sem deixar de fora elementos básicos responsáveis pelo sucesso dos filmes do universo Marvel.

O texto de Christopher Markus e Stephen McFeely nos apresenta uma complexa teia de intrigas e conspirações envolvendo a S.H.I.E.L.D. e seus associados. Após atestar que a integridade da organização estava comprometida, Nick Fury (Samuel L. Jackson) confia apenas em Steve Roger (Chris Evans) e Natasha Romanoff, aka Viúva Negra (Scarlett Johansson), para por um fim a eminente ameaça. Para piorar a situação, o Capitão América se vê obrigado a enfrentar o Soldado Invernal, que acaba forçando-o a reviver uma parte dolorosa de seu passado.

Tom politico forte é marca do longa

Tom politico forte é marca do longa

No primeiro filme, situado na Segunda Guerra Mundial, tínhamos um conceito bem preto e branco em relação aos vilões, o que soaria deveras datado e deslocado no contexto em que vivemos. Fazendo alegorias singelas e inteligentes à paranóia patriótica americana pós-11/09 e aos recentes casos de espionagem da NSA, o texto se destaca exatamente por fazer um excelente contraponto entre a perspectiva de um sujeito deslocado no tempo em relação a chocante realidade atual, onde o conceito de ética é completamente deturpado em favor da “segurança nacional”. Produto de um período mais inocente, Steve Rogers se vê forçado a encarar diversos dilemas éticos e exploração dos mesmos ajuda a criar uma tridimensionalidade ao personagem. Mesmo inocente e tentando se adaptar aos tempos modernos, o personagem se mantém pragmático em relação ao seu forte senso de justiça. Chris Evans se porta muito bem ao explorar essas características essências do personagem, se mostrando cada vez mais a vontade no traje do bandeiroso.

Outra personagem que ganha mais espaço e relevância ao longo da narrativa é a Viúva Negra. As interações entre ela e o Capitão são interessantes por mostrar um certo antagonismos no que tange ao modus operandi dos dois. Natasha Romanoff não se importa em quebrar regras e faz o que for preciso pra executar com sucesso a missão a qual foi designada, mas dadas as circunstancias, a ex-agente da KGB, também começa a se questionar. As interações de Scarlett Johansson com Chris Evans são muito bem exploradas e divertem principalmente pela tensão sexual escrachada que se forma entre os dois.

Scarlett <3

Scarlett ❤

Sam Wilson (Anthony Mackie) é introduzido de maneira bem orgânica e se desenvolve com um personagem divertido e sempre com um comentário ácido pra fazer, mas sem cair no clichê de alivio cômico forçado. Por sinal, o equilíbrio entre a seriedade e o humor da película é muito bem desenvolvido. Antony e Joe Russo,optam por dar ao filme um clima de thriller político bem pesado, que ganha força graças a participação mais do que especial de Robert Redford, como Alexander Pierce.

A participação do Soldado Invernal (Sebastian Stan), também é crucial para o desenvolvimento do arco dramático do longa, tendo em vista que a revelação de sua identidade força Steve Rogers e redefinir alguns conceitos sobre seu passado. Com todo o desenvolvimento da teia de conspirações que envolve a S.H.I.E.LD. e a HIDRA, o personagem acaba sendo nada mais do que um coadjuvante de luxo, tendo em vista que a narrativa não se desenvolve inteiramente ao seu redor, tornando contestável a escolha do subtítulo do filme. Seu arco é desenvolvido de maneira satisfatória, mas fica em aberto o destino que o personagem irá tomar nos vindouros filmes da “Casa das Ideias”.

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Bucky, é você?

Mas não se preocupem, os Russo não que esquecem que de fato estão fazendo um filme de super-herói. Confrontos físicos com coreografias poderosas, bem características dos quadrinhos – reparem na luta entre o Capitão e Batroc (George St. Pierre, campeão do UFC) – e cenas de ação elaboradas com um arroubo explosivo dão a tônica da narrativa. Porém, há de se destacar alguns escorregões da dupla, principalmente nas sequências megalomaníacas do terceiro ato onde fica evidenciado uma certa artificialidade do CGI. Sem mencionar a falta de comprometimento com o uso do 3D, que não adiciona em nada a experiência cinematográfica, apenas encarece o ingresso.

Se sustentando individualmente como uma história única, porém extremamente coeso e relevante para os outros filmes da franquia, Capitão América: O Soldado Invernal representa uma enorme mudança de paradigma para o Universo cinematográfico/televisivo da Marvel. Recheado de easter eggs e menções a personagens variados desse mundo compartilhado, o longa assume por ora o status de melhor filme produzido pelo estúdio até o momento – sem contar com os Vingadores por que ai é covardia.

 

Obs.: Como todo filme da Marvel, fique até o final dos créditos. Tem duas cenas espetaculares aguardando por você. Uma nova Era vai começa!

 

Obs 2.: Se você é fã de Community e Pulp Fiction, fique de olhos abertos para uns cameos e uns easter eggs.

 

Renan Sena

 

 

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