O Espetacular Homem Aranha: A Ameaça de Electro – O Cabeça de Teia que aprendemos a amar

Podemos separar o Universo em dois tipos de pessoas: as que odeiam O Espetacular Homem Aranha e que acham o reboot absolutamente desnecessário, feito apenas para a Sony continuar faturando e não perder os direitos de adaptação do personagem; e as que acham o longa bastante digno do material original e que de alguma forma conseguiu capturar a essência que fez o personagem ser tão amado durante décadas. Reconheço a falta de coesão e questiono algumas escolhas do roteiro do primeiro longa, mas particularmente, faço parte do grupo que acha que esse reboot fez muito bem para a figura do Peter Parker/Homem Aranha. Mesmo com a questionável plot envolvendo os pais de Peter, gosto do primeiro filme por ser mais leve no trato do protagonista, mostrando pela primeira vez no cinema um Homem Aranha divertido e moleque. Enfrentando toda a resistência de nerds tetudos, chega aos cinemas O Espetacular Homem Aranha: A Ameaça de Electro, um filme digno do Amigão da Vizinhança que aprendemos a amar.

Roteirizado pelos inseparáveis Alex Kurtzman e Roberto Orci em parceria com Jeff Pinkner, acompanhamos Peter (Andrew Garfield) se divertindo no papel de super-herói e curtindo cada momento da admiração da população de Nova York. Enquanto isso, ele lida com o dilema moral da promessa que tinha feito para o capitão Stacy em seus momentos finais, trazendo um pouco de insegurança e instabilidade em seu relacionamento com Gwen Stacy (Emma Stone). Os problemas se intensificam quando Max Dillon (Jamie Foxx), solitário engenheiro da Oscorp, sofre um curioso acidente que o transforma no vilão Electro. Mas as coisas sempre podem complicar e complicam quando Harry Osborn (Dane DeHaan), amigo de infância do herói, chega à cidade para assumir seu lugar de direito na empresa da família.

Marc Webb não adapta nenhum arco especifico dos quadrinhos, apesar de terem alguns elementos de um que prefiro não mencionar por motivos de spoilers e feels. Em tempos em que filmes de super-heróis são levadas a sério demais, sempre com um tom mais sombrio (cortesia de Christopher Nolan), Webb ignora completamente esses paradigmas e abraça o lado colorido e jovial das HQs, captando a essência que fez com que nos apaixonássemos e sonhássemos em ser o Homem Aranha desde pequenos. Isso não seria possível se não fosse a formidável entrega de Andrew Garfield na construção do personagem. A irreverência do escalador de paredes que já tinha sido um dos destaques no filme anterior, de fato se torna sua marca registrada assim como nos quadrinhos. Seu humor infame no trato com os vilões gera as situações mais hilárias imagináveis, como a perseguição a gangue liderada por Aleksei Sytsevich (aka Rhino) logo no inicio da projeção e até mesmo pequenas coisas, como o simples fato de assobiar sua própria música tema (por sinal também é seu ringtone) enquanto dá uma lição em alguns malfeitores. Quem é Tobey Maguire mesmo?

A química de Andrew Garfield com Emma Stone é outro ponto alto do longa. O relacionamento de Peter com Gwen passa por momentos turbulentos, e a dinâmica entre os dois torna esse romance em algo verdadeiro e bonito, o que facilita muito que o público se identifique de alguma forma com o casal e sofra com os altos e baixos da sua relação. O relacionamento de Peter com a tia May, interpretada por Sally Field, também ganha um pouco mais de destaque e um diálogo especifico entre os dois é capaz de arrancar lágrimas do espectador mais sensível.

O casal mais cute do Universo

O casal mais cute do Universo

Dane DeHaan acaba se provando uma escolha acertada para o papel de Harry Osborn. O jovem ator acaba equilibrando muito bem a fragilidade do personagem com relação a seu relacionamento conturbado com seu moribundo pai, Norman Orborn, interpretado por Chris Cooper em uma aparição bem rápida. À medida que o jovem magnata vai lidando com os efeitos da sua doença, sua paranoia vai se desenvolvendo de maneira bem verossímil. Sua eventual transformação no icônico Duende Verde ocorre de maneira bem orgânica, apesar do mesmo ter destaque apenas em uma cena crucial.

Até porque o subtítulo do filme é “A Ameaça de Electro”, então nada mais justo que dar destaque a esse problemático vilão. Inspirado na linha Ultimate dos quadrinhos, o antagonista é desenvolvido de maneira bem curiosa por Jamie Foxx. Sua interpretação como Max Dillon beira  o over, mas essa carência excessiva do personagem é o que torna essa transição de sujeito reprimido para vilão ameaçador em algo crível. Paul Giamatti faz uma pequena ponta como Aleksei Sytsevich/Rhino, mas isso serve como um pequeno teaser para o vindouro longa do Sexteto Sinistro.

"You wanted to be the hero... Now you got to pay the price"

“You wanted to be the hero… Now you got to pay the price”

Um dos problemas mais irritantes do capitulo anterior era a plot envolvendo os pais de Peter e a teia de conspirações envolvendo a Oscorp. É dando continuidade a essa trama que o roteiro dá alguns tropeços significativos na tentativa se justificar, mas para alivio dos fãs mais extremistas, esse arco narrativo se encerra de forma satisfatória/ou não nesse filme. Além disso, a inclusão da cena paralela de dois aviões em perigo no terceiro ato, não foi apenas desnecessária como incompreensível, pois a mesma não adiciona em nada o desenvolvimento da narrativa.

O diretor nos dá uma amostra da sensação de liberdade que Peter Parker tem ao sair por ai fazendo acrobacias  se pendurando pelos prédios de Manhattan em sequências elaboradas de maneira a aproveitar da melhor forma o uso do 3D. Por sinal, tal ferramenta é explorada ao máximo nas excelentes cenas de ação, onde o diretor equilibra o uso de planos sequências e a ferramenta do bullet time para tornar mais inteligível à geografia das cenas. Os efeitos especiais estão fantásticos, escorregando em pequenos momentos em que fica evidenciado a artificialidade de alguns movimentos do teioso, mas nada que comprometa o excelente produto final.

Aquele Homem Aranha zuero e moleque que tanto amamos

Aquele Homem Aranha zuero e moleque que tanto amamos

A trilha sonora composta pelo Magnificent Six (Pharrell Williams, Johnny Marr do The Smiths e Modest Mouse, Michael Einziger do Incubus, Junkie XL, Andrew Kawczynski e Steve Mazzaroritten) e produzida por Hans Zimmer se mostra presente em todos os momentos pontuais da trama. Talvez algumas vezes de maneira excessiva e forçando o tom de algumas cenas, mas ainda assim é bastante marcante.

 O Espetacular Homem Aranha: A Ameaça de Electro é capaz de resgatar aquele espírito pueril e encantador que consagrou o cabeça de teia nos quadrinhos. O longa consegue transitar entre drama, comédia e ação de maneira bastante fluída. Se entregando a uma narrativa divertida, com resoluções simples, porém satisfatórias, o longa consegue divertir e emocionar (sério, leve um lenço se você for muito sensível) aquela criança que existe dentro de todos nós.

Obs.: Fique atento as imagens que aparecem ao longo dos créditos, pois estas fazem menção ao Sexteto Sinistro

0bs.2: Tem um teaser de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” no meio dos créditos, mas isso NÃO significa que os mutantes vão cruzar com o teioso no futuro.

 

Renan Sena

 

 

 

 

 

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Um comentário sobre “O Espetacular Homem Aranha: A Ameaça de Electro – O Cabeça de Teia que aprendemos a amar

  1. Excelente crítica meu caro, acho que se alguém ainda não comprou a ideia do Andrew ser o Homem-Aranha depois desse filme, realmente tem problemas sérios.

    Filme deveras divertido, envolvente, dinâmico e emocionante.

    Se eu tivesse que enumerar algum defeito, seriam as cenas desnecessário do Capitão Stacy e, claro, a dos aviões que putz… tentativa frustada de sugerir o “terror” causado na cidade pelo Electro.

    Mas de resto, até a Tia May que no primeiro não convenceu, fez algumas cenas memoráveis (tirando comandar do nada o hospital que mal tinha começado a trabalhar .-. rs)

    Emma Stone aquela coisa linda estava perfeita e muito confortável com o papel, mais ainda nas cenas amorosas/fofas com o Andrew.

    Finalmente o câncer do mistério dos pais do Aranha foi finalizado, podendo gerar soluções mais interessante no futuro… pq ficar amarrando com a história deles tava cansando já (Puta merda, quantos anos que ele nao poderia ter descoberto as “fichas”? .-.)

    E o ponto forte do filme, o visual, que está extremamente expetacular… desde o Aranha e suas andanças, até os vilões: Eletro badass, Duende enigmático e surtado, Rhino-tanque-de-guerra. 3D necessário e em IMAX deve ficar uma perfeição.

    Acho que tirando a gordura poderia facilmente ficar pau-a-pau com o excelente Homem-Aranha 2, mas veremos os próximos como virão.

    Que venha Sexteto Sinistro, JJ e MJ!

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