X-Men: Dias de um Futuro Esquecido – Nada que uma viagem no tempo não resolva (mais ou menos)

A franquia X-Men é marcada por excelentes filmes (X1, X2 e X-Men: Primeira Classe), dois filmes regulares (X3: O Confronto Final e Wolverine: Imortal) e um desastre de proporções catastróficas (X-Men Origens: Wolverine). Ao contrário do Marvel Studios que sempre teve o cuidado de aparar todas as pontas soltas, para tornar seu Universo cada vez mais unificado, a Fox sempre deu uma cagada para coesão e as incongruências acabaram se tornando uma marca incômoda nos filmes dos mutantes. Bryan Singer, diretor dos dois primeiros longas, retorna a franquia em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, filme que junta as duas gerações de mutantes no cinema.

 Matthew Vaugh, diretor do Primeira Classe, permanece como produtor e roteirista ao lado de Jane Goldman e Simon Kinberg, adaptando parcialmente o antológico arco das HQs escrito por Chris Claremont e John Byrne. A trama começa num futuro distópico onde os mutantes e qualquer portador do gene X são caçados e exterminados pelos Sentinelas. Os X-Mens remanescentes vivem com medo e fugindo constantemente, então aliados pelo desespero, Magneto (Ian McKellen) e Professor Xavier (Patrick Stewart) decidem usar os poderes de Kitty Pride (Ellen Page) para enviar a consciência de Logan (Hugh Jackman) de volta a década de 70 para evitar a cadeia de eventos que desencadeou a construção dos Sentinelas. De volta a seu corpo nos anos 70, Wolverine terá que se aliar ao jovem Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lansherr(Michael Fassebender) para impedir que Mística (Jennifer Lawrence) assassine o cientista Bolívar Trask (Tyrion Lannister Peter Dinklage) a fim de tentar salvar os mutantes da eminente extinção.

 O longa é ao mesmo tempo um prequel e uma sequência, que aproveita a estrutura básica da dinâmica de viagem temporal da cultuada HQ, para juntar as duas gerações dos filhos do átomo. Graças ao excelente trabalho do montador John Ottman, a estrutura concebida mantém a narrativa sempre dinâmica, saltando entre passado e futuro de forma cada vez mais intensa à medida que nos aproximamos do clímax.

Apesar de contar com os nomes consagrados do elenco original, esses são aproveitados somente para contextualizar esse futuro sombrio. Não me entendam mal, por mais que boa parte do foco seja no núcleo setentista, Bryan Singer faz valer o tempo de nomes consagrados e tão queridos pelos fãs, além de apresentar mutantes clássicos como Apache, Bishop, Mancha Solar e Blink. Patrick Stewart e Ian McKellen trazem aquele peso dramático necessário para nos preocuparmos com seus destinos e com a sensação de urgência e tensão.

“I DON’T WANT YOUR FUTURE!”

Aliás, são nas cenas de ação do futuro que o diretor se destaca pela excelente condução. Explorando ao máximo a interação entre seus poderes, os mutantes mostram um enorme entrosamento em combate, agindo em unidade contra os Sentinelas (cujas versões futuristas parecem uma mistura de Nimrod e Destruidor). A geografia das cenas é organizada de maneira inteligível, o que mostra um grande amadurecimento do diretor. Apesar de que o mesmo já tinha imortalizado a sequência da invasão do Noturno a Casa Branca. Não satisfeito, o diretor repete novamente o feito na cena de fuga da prisão protagonizada por Mercúrio (Evan Peters). Peters acaba ofuscando todos ao seu redor, com sua atuação irônica e divertida, mas o destaque vai mesmo para habilidade do diretor na concepção da cena que explora o potencial de suas habilidades de velocista. A Marvel vai ter uma dor de cabeça para fazer um Mercúrio a altura em Vingadores 2.

As justificativas para enviar o Wolverine ao passado se sustentam de maneira bastante convincente e são bastante lógicas ao analisarmos o “Universo” cinematográfico mutante, justificando a mudança com relação aos quadrinhos. Aos mais puristas não se preocupem, pois a Kitty Pride continua tendo um papel bastante ativo nessa dinâmica de viagem temporal – não sei de onde ela tirou aquelas habilidades…mas deixa pra lá. Falando em Wolverine, mesmo depois de se passarem 14 anos desde que Hugh Jackman colocou suas garras de adamantium de fora pela primeira vez, o ator se mostra ainda mais a vontade no papel. Aproveitando a companhia dos novos companheiros de elenco, ele se mostra bastante a vontade em não ser o centro das atenções dessa vez, agindo mais como um elemento agregador, protagonizando alguns momentos mais leves e mostrando seu habitual vigor físico (mulheres fiquem atentas a sua primeira cena no passado).

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O Carcaju está de volta

A narrativa gira em torno do relacionamento entre as versões jovens do Professor Xavier, Magneto e Mística. James McAvoy, a principio se apresenta como um junkie sem esperanças, mas suas experiências ao longo dessa jornada trazem um pouco mais de substância as crenças de Xavier, tornando-o um pouco mais próximo da versão interpretada por Patrick Sterwart. Enquanto isso, Michael Fassebender se destaca mais uma vez como Magneto. Por mais traiçoeiro e assustador que ele seja, percebemos que o personagem age de acordo com seus princípios, algo brilhantemente construído desde o filme antecessor. A demonstração de suas habilidades magnéticas se supera dessa vez.

Jennifer Lawence confere uma profundidade absurda a Mística, que se vê dividida entre a causa mutante e os dilemas morais implicados em suas ações. A personagem acaba sendo um dos centros da narrativa, visto que seu DNA é a chave para a habilidade de adaptação dos Sentinelas do futuro. Tais características logo despertam o interesse de Bolívar Trask, interpretado pelo brilhante Peter Dinklage. O ator constrói seu personagem mesclando fascínio e temor pela raça mutante, conferindo tridimensionalidade a Trask.

Magneto mais traiçoeiro do que nunca

Magneto mais traiçoeiro do que nunca

Em outros quesitos técnicos, vale dar os créditos devidos ao fantástico trabalho do departamento de direção de arte na recriação da década de 70, com os cenários e figurinos. O excelente trabalho de fotografia e o uso de algumas momentos filmados em Super 8 também ajudam na ambientação.

Em geral, o texto não se preocupa exclusivamente em tentar concertar as incongruências da série. Apesar de oferecer algumas explicações decentes para alguns eventos, os estragos feitos pela terceira aventura dirigida por Brett Ratner e pelo longa de origem do Carcaju são realmente irreparáveis. Bryan Singer se preocupa em promover praticamente um reboot, abrindo uma infinidade de possibilidades para a franquia. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é o marco zero para a nova fase mutante nos cinemas. Que venha o Apocalipse!

 

Obs: Fique até o final dos créditos

 

Renan Sena

  

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