Tranformers: A Era da Extinção – Tão ruim que chega a ser ofensivo

É bem verdade que quando Michael Bay não está praticando seu exercício de megalomania ostensiva e desafiando a lógica com suas obras cinematográficas recheadas de personagens robóticos e incontáveis explosões, ele é até um diretor bem decente. A Rocha, Bad Boys e até mesmo o recente Sem Dor, Sem Ganho, são provas que o diretor não é desprovido de talento. Mas, ao sobreviver à sessão de Tranformers: A Era da Extinção – sim, SOBREVIVER – é chegada à hora de dizer algumas coisas sobre esse filme que não passa de uma propaganda de quase três horas dos bonecos da Hasbro.

O longa se passa cinco anos depois da batalha que destruiu Chicago em O Lado Oculto da Lua, e agora os Transformers são vistos como uma ameaça e são impiedosamente caçados por uma agência governamental ultra-secreta que trabalha em parceria com o caçador de recompensa alienígena Lockdown. Enquanto isso, o inventor texano Cade Yeager (Mark Whalberg) divide seu tempo entre aquisição de sucata para seus projetos e tentando proteger a virgindade de sua filha Tessa (Nicola Peltz). Quando Cade encontra a sucata de um caminhão que acaba se revelando como Optimus Prime, ele se vê obrigado a fugir da mira do implacável Harold Attinger (Kelsey Grammer). Eventualmente eles percebem que a teia de conspiração que eles estão envolvidos é maior do que pensavam, pois Attinger possui relações como a empresa desenvolvedora de tecnologia KSI, dirigida pelo excêntrico Joshua Joyce (Stanley Tucci) que através da manipulação do “Transformium” agora é capaz de criar suas próprias criaturas para fins bélicos.

Ninguém se importa com você, Mark Whalberg

Ninguém se importa com você, Mark Whalberg

Apenas ao ler a plot dessa continuação já é possível concluir o quanto o roteiro escrito por Ehren Kruger é recheado de expectativas, mas não cumpre nenhuma delas. O desenvolvimento de seus personagens nunca foi o foco principal da franquia, tanto que a substituição de Shia  LeBeouf por Mark Whalberg como protagonista humano da película  é digerida sem nenhum problema, pois na real não conseguimos nos importar com eles. Whalberg está ali para brandir sua espada/arma alienígena e para nos lembrar que a virgindade da sua filha é tão importante quando o destino do planeta Terra. O arco dramático é deveras mal desenvolvido e acaba ficando deslocado em meio a tantas explosões – nenhuma novidade. Tudo não passa de encheção de linguiça, pois você não veio ver humanos e seus problemas familiares; você veio assistir duas facções de robôs alienígenas se digladiando e destruindo grandes centros urbanos. Michael Bay não abre mão dessa dinâmica masturbatória ao longo dos 165 minutos do filme. Mas não estranhe se eventualmente  surgir uma propaganda gratuita de uma marca de cerveja ou roupas intimas femininas. Isso é Hollywood, baby!

Sabia que o Optimus Prime sabe voar? Nem eu...e isso não faz sentido nenhum!

Sabia que o Optimus Prime consegue voar? Nem eu…e isso não faz sentido nenhum!

Não que os Transformers recebam tratamento diferenciado no que se relaciona ao desenvolvimento de seu arco narrativo. Pra ser sincero, após 4 filmes continuamos sem saber muito sobre esses alienígenas – Optimus Prime é a síntese do conceito de Deus Ex Machina e o Bumble Bee é carismático…e só (te desafio a nomear outros 5 Autobots, além dos dois principais). Alguns Tranformers morrerem no processo e isso não impacta de forma  nenhuma a maneira com que o público se relaciona com esses personagens. Qualquer sombra de aprofundamento na mitologia é prontamente evitada pelo diretor em prol de mais explosões e sequências de ação megalomaníacas.

Vamos ser justos aqui, na primeira hora de projeção, as sequências de ação são impressionantes com todo o caos e descompromisso característico de Bay e destaco o excelente trabalho de design de som. Mas a experiência acaba se tornando exaustiva a partir do momento em que percebemos que ainda faltam cerca de duas horas para o filme acabar. A única novidade mesmo em relação aos capítulos anteriores da franquia é a adição dos Dinobots, não que eles tenham relevância narrativa (muito longe disso), pois de resto é mais do mesmo: grandes centros urbanos sendo obliterados em meio ao caos de uma guerra alienígena. Analisando friamente, Hong Kong com cerca de 1.104 km² e com aproximadamente 7 milhões de habitantes, certamente teve sua população reduzida após a chuva de escombros de prédios, carros, navios e uma nave espacial gigante. Mas as consequências desse genocídio não são nem mencionadas. A impressão que dá é que Michael Bay parece uma criança de 8 anos de idade com sérios distúrbios psicológicos brincando com seus bonequinhos.

Que se foda! Vamos explodir a porra toda!

Que se foda! Vamos explodir a porra toda!

Como eu disse anteriormente, o diretor tem suas qualidades e uma delas é a beleza com a qual ele fotografa quadros usando a luz do crepúsculo. Isso é tão recorrente, que parece que todas as cenas do longa  são rodadas nesse período do dia em particular.  Já que estamos no campo de desafio a lógica, o que falar da sequência em que os humanos são arremessados no ar e manipulados pelos robôs gigantes como bonecos, mas não morrem ou acabam com um osso quebrado? Pelo contrário, a personagem de Nicola Peltz está sempre maquiada e pronta para uma sessão de fotos.

É visível que o objetivo dos executivos é faturar com a venda de produtos licenciados e com a bilheteria proveniente do mercado asiático, mas especificamente o do China, pois é notório o quanto o ego chinês é massageado ao longo do terceiro ato da produção. Essa estratégia está cada vez mais recorrente em Hollywood e já rendeu cerca de US$225,1 milhões a Paramout apenas no mercado chinês com o lançamento do novo Transformers.

Porque toda cena é rodada no pôr do sol...lidem com isso

Porque toda cena é rodada no pôr do sol…lidem com isso

Tranformers: A Era da Extinção é mais do mesmo, só que mais megalomaníaco e exaustivo do que nunca.  É o tipo de filme que exige que você desligue seu cérebro por 3 horas, pois chega um momento em que a batalha entre os robôs é tão cansativa que você nem se importa mais com quem vai vencer, só quer que a fita chegue ao fim. No geral é uma narrativa incoerente repetitiva e barulhenta. Um desperdício de tempo e espaço! Uma experiência tão ruim que chega a ser ofensiva!

 

Renan Sena

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Um comentário sobre “Tranformers: A Era da Extinção – Tão ruim que chega a ser ofensivo

  1. Todos eles tem capacidade de voar, em Cybertron ninguém se transformava em carro.

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