The Endless River – Pink Floyd

Quem imaginaria que depois de 20 anos de inatividade o Pink Floyd estaria lançando um novo álbum? Nem os fãs mais otimistas imaginariam isso. Devido a morte de Richard Wright em 2008, qualquer sussurro sobre uma nova reunião estava descartada, porém o inesperado acontece e é anunciado o lançamento de The Endless River, o décimo quinto álbum de estúdio da banda. Claro que as expectativas são enormes, então eu ouvi o disco e resolvi fazer essa resenha demonstrando minha opinião sobre o álbum para vocês.

O Álbum foi criado a partir das sessões de criação para o álbum Division Bell de 1994 e tem uma proposta instrumental, algo que o Floyd só fez uma vez, com o disco duplo Ummagumma,lançado em 1968 e considerado por alguns como o pior disco da banda. Apesar de o disco ser instrumental,temos uma faixa que não é, o single Louder than Words. O fato dessa música trazer um certo contraste pro álbum foi uma ótima jogada de David Gilmour para tirar o ouvinte do conforto imposto pelo monótomo disco.
Falando do disco em si, a produção e a mixagem é ótima, o que não é nenhuma surpresa para os fãs, nesse aspecto David Gilmour e Nick Mason foram bem cautelosos.

O álbum é dividido em 4 “sides” cada um com várias partes, o que lembra inclusive o Ummagumma, porém a sonoridade é completamente diferente com a desse álbum, A música lembra muito certos trechos dos álbums Wish You Were Here e Division Bell, principalmente pelo timbre dos sintetizadores e das belas frases de guitarra feitas por Gilmour. Já a bateria de Nick Mason é um pouco mais diferente, lembra muito a batida de Saucerful Of Secrets, mostrando que o disco é uma grande passagem por várias fases da banda.

O álbum também conta com a participação de Stephen Hawking, o gênio já havia participado do Division Bell em “Keep Talking” e o aparecimento dele no álbum é positivo. Com isso podemos ver que estamos realmente lidando com um “lado B” do Division Bell, as faixas com Sax também são belíssimas e trazem uma melodia que acalma o ser interior de cada um.

“Louder Than Words” é de fato o ponto máximo do álbum, é um single necessário e que traz ao fã uma grande nostalgia. Além disso, destaco as faixas Allons-y (1) e (2) e Autumn 68 (clara referência à música Summer 68 do álbum Atom Heart Mother). Mostra que Rick ainda está vivo com sua música e que ele era e ainda é a alma do Pink Floyd. O homem mais sereno do grupo e um músico que tem melodias belíssimas, é sem dúvidas uma bela homenagem.

Apesar dos apesares, The Endless River mostra um Pink Floyd do século XXI, com uma produção moderna e mostrando um som bem futurista e “novo” de certa forma, comprovando que o Floyd sempre mudou e sempre buscou coisas novas entre um disco e outro.

The Endless River é na verdade um grande tributo a Richard Wright, isso está mais do que claro, mas também é um tributo aos fãs, uma grande despedida. Não é um álbum fantástico, isso não. É uma homenagem, uma grande homenagem. Não é do mesmo nível musical de Wish You Were Here, Dark Side of The Moon, Meddle e Division Bell, mas é sim um bom disco para a proposta que tem, e isso é muito importante ser ressaltado.

Outra coisa que faltou no álbum foi a música que te faz arrepiar, sair do corpo e entrar no plano etéreo (como por exemplo: Eclipse, High Hopes, Comfortably Numb, Echoes), Louder Than Words é uma boa canção, mas é do mesmo nível que qualquer outra do Division Bell, acho que faltou um pouquinho mais de genialidade e ousadia por parte de Gilmour,isso não compromete o disco, mas acaba criando um sentimento de “quero mais” por parte do fã mais criterioso.

O Álbum acaba com uma grande “Jam”, algo que desaprovei, acho que foi um fim muito aquém do esperado, já que nossa “antiga” High Hopes completava perfeitamente o clima de despedida da banda. Essa acaba sendo uma crítica ao álbum, que poderia ter dado mais, poderia ter sido mais, mas acho que isso só aconteceria se Gilmour estendesse a mão para Roger Waters e fizesse algo completamente surpreendente. Lógico que isso iria mudar totalmente a atmosfera do álbum, mas seria mais justo para os fãs e acredito que até mesmo seria uma despedida melhor para Rick.

Enfim, The Endless River é a homenagem final à Rick Wright e é um bom álbum, apesar de não ser surpreendente. Vale a pena ter ele em mãos e é ótimo para ser ouvido em momentos de paz interior, é um álbum a ser escutado individualmente e com carinho, afinal, esta é a despedida de uma das maiores bandas de todos os tempos, O Pink Floyd, que sem dúvida nunca sairá dos nossos corações.

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Um comentário sobre “The Endless River – Pink Floyd

  1. Você expressou exatamente aquilo que eu senti e já havia comentado com uns amigos.
    Parabéns, pelas belas colocações!
    Só um adendo acho que uma musica que poderia fazer algo parecido com o que High Hopes faz seria a “Anisina”, mas daí é só a opinião de um leigo……

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