Insurgente – Franquia de jovens adultos mais genérica do cinema

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Aquela efervescência hormonal típica da adolescência, vem acompanhada de uma rebeldia característica e uma constante busca por identidade. Misturando esses elementos a um universo pós apocalíptico, tínhamos a premissa básica de Divergente, adaptação da série literária de Veronica Roth. A ideia parecia muito legal, mas como vocês bem lembram, o resultado final foi bastante decepcionante. As expectativas eram baixas para Insurgente e por mais que a execução do segundo capítulo tente reparar algumas arestas deixadas pelo seu antecessor, a falta de empolgação com a franquia ainda se justifica.

O roteiro escrito por Mark Bomback, Akiva Goldsman Brian Duffield, retoma ao final do primeiro filme, onde Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) seguem sendo caçados pela ditadora Jeanine (Kate Winslet). Em meio a correria eles tentam reunir forças e procuram novos aliados entre os sem facções e com os membros das castas que também estão insatisfeitas com o governo.  A situação se intensifica quando a líder da Erudição se apossa de um cubo que contém uma mensagem misteriosa dos “Fundadores”, mas a mesma só poderia ser revelada ao toque de um Divergente genuinamente puro, após passar por quatro simulações que testariam suas suas inclinações para Honestidade, Abnegação, Audácia, Amizade e Erudição. Adivinhem vocês quem seria a única Divergente capaz de passar por tais provações…pensou certo!

"Katniss

Devo confessar a vocês, que ao fim do primeiro longa a sensação que ficou foi de indiferença. Essa total falta de interesse na franquia, torna os primeiros minutos de projeção completamente angustiantes, pois somos forçados a relembrar acontecimentos e personagens-chaves do filme anterior. Tal tarefa se torna mais fácil com o tempo, graças a enxurrada de diálogos expositivos e didatismo exacerbado empregado no roteiro, não que isso seja de grande ajuda. Essa é uma experiência com a qual muitos espectadores podem se deparar, mas isso é completamente justificado pela forma genérica e rasa com as quais todo aquele universo é retratado.

Percebe-se um certo amadurecimento na forma com a qual a violência é encarada pelos personagens. Algumas execuções a sangue-frio acontecem de forma inesperada e de certa maneira, isso acaba sendo uma evolução com relação a mudança de tom que esse filme deveria representar para a franquia a partir desse momento.

Essa característica, em teoria audaciosa, acaba se provando um dos poucos acertos do diretor  Robert Schwentke (RED – Aposentados e Perigosos) na condução do longa. Porque em geral, o que se percebe é um diretor mais interessado em criar cenas de ação “elaboradas”, onde a personagem principal joga um game de realidade virtual, onde se cria uma justificativa pra ostentar o orçamento da produção dedicado a efeitos especiais (coisas se desintegrando, coisas se desintegrando, coisas se desintegrando). O filme conta com uma evolução evidente nos aspectos visuais, o que se prova no emprego dos efeitos especiais e nos designs de produção. Mesmo assim, falta uma progressão de suspense ou tensão que faça com que nos importemos minimamente com tudo aquilo.

Coisas se desintegrando! Coisas se desintegrando! Coisas se desintegrando!

Coisas se desintegrando! Coisas se desintegrando! Coisas se desintegrando!

Por mais que a Shailene Woodley seja talentosa (ela já provou que é), falta simpatia a protagonista. Os esforços da atriz para construir uma personagem multifacetada são aparentes, mas o roteiro fica martelando em nossas cabeças a cada 20 minutos que ela é especial. Essa imposição é incômoda e a falta de carisma da personagem não ajuda.

O romance entre Tris e Quatro, interpretado por Theo James, ainda sofre com a falta de química entre os dois jovens atores. Por mais que esse elemento não seja um pilar da narrativa, a interação entre eles ainda soa um pouco artificial. Sem falar que eles parecem não saber definir um momento ideal para transar…sério, uma pessoa tinha acabado de se suicidar, aquilo foi no minimo perturbador.

“Uma menina acabou de se suicidar…vamos transar!”

Desenvolvimento de personagens e a forma com a qual eles se relacionam ficam em segundo plano. O que é uma pena, pois a produção conta com um elenco fantástico e comprovadamente talentoso. A incoerência na construção das motivações da vilã Jeanine, interpretada pela orcarizada Kate Winslet ilustra isso perfeitamente. Pensando sempre em voz alta e com dificuldade para justificar suas pretensões, o desconforto da atriz é evidente.

Miles Teller transforma essa situação constrangedora em zoeira. A dubiedade do caráter do personagem é tão confusa e artificial, que a impressão que fica é que o Teller atua empregando uma certa canastrice de maneira debochada e proposital. Já Ansel Egort acaba se mostrando apático e desnecessário na pele de Caleb.

As cenas finais da projeção  criam uma sensação minimamente curiosa, pois parece que estamos prestes a ver o inicio de um número musical. Tris pergunta ”e agora?”, enquanto todos saem felizes de suas casas, correndo de mãos dadas. A resposta para essa pergunta é difícil e o final de Insurgente não nos deixa com nenhuma vontade de descobrir…pra mim já foi o suficiente! Vlw, flw!

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