Vingadores: A Era de Ultron – Nerdgasmos múltiplos 2

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Depois de Vingadores atingir a expressiva marca de terceira maior bilheteria de todos os tempos, muitos se perguntaram como a Marvel/Disney faria para superar a enorme expectativa criada em torno da sequência. Tentar ser maior e mais épicopode ser perigoso demais e as vezes menos é mais. Por esse motivo, em Vingadores – A Era de Ultron, a ameaça passa a ser a mais destrutiva de todas as forças universais: as boas intenções do ser humano. Alienígenas saem de cena, para dar lugar a algo mais intimista, mas ao mesmo tempo mais apoteótico.

Começamos esse segundo capítulo na fictícia república da Sokovia, com os super heróis mais poderosos da Terra tentando invadir uma das últimas bases da HYDRA, para tentar recuperar o poderoso cetro do Loki, que está em posse do Barão Von Strucker (como vocês lembram da cena pós-crédito de Capitão América: O Soldado Invernal). Lá eles encontram dois novos poderosos inimigos: os gêmeos geneticamente aprimorados Pietro (Aaron Taylor Johnson) e Wanda Maxmoff (Elizabeth Olsen). Mas a maior ameaça, está mais próxima de casa do que os Vingadores esperavam. Uma vez que o cetro é recuperado, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Rufallo), descobrem o potencial da Gema do Infinito e o aplicam em seu programa de manutenção de paz, o Ultron. A recém-nascida inteligência artificial, tem em sua agenda de interesses apenas um item: a extinção da raça humana e os Vingadores sâo os únicos que ficam no caminho de seu objetivo.

“Vocês querem salvar o mundo, mas não querem que ele mude”

Joss Wheadon mostra mais uma vez, ser um dos poucos diretores da indústria capaz de conduzir algo tão grandioso de forma sútil e coesa, apesar de todos os desafios. A necessidade de superar as expectativas deixadas por todos os filmes do universo compartilhado, são traduzidas na amplificação da escala da produção. Tudo é mais grandiloquente, desde o uso de locações espalhadas por diversos países (Inglaterra, Coréia do Sul, Africa do Sul, Itália e Estados Unidos), até as elaboradas sequências de ação. Essa megalomania já se apresenta ao espectador na primeira cena , um plano sequência sensacional, mostrando os Vingadores atuando como uma unidade, concluindo numa cena icônica, emulando uma clássica splash page, elemento identificável por qualquer fã de histórias em quadrinho.

Esse é apenas um dos exemplos que são diretamente adaptados da mídia original, que tornam a experiência de assistir A Era de Ultron, em algo próximo a ler em sequência um arco de histórias em quadrinho. Está tudo lá: seus personagens favoritos, bom humor e cenas de combate extensas, com super heróis desmembrando robôs das formas mais inventivas e divertidas possíveis. Esses são elementos típicos de um blockbuster de sucesso, mas saber equilibra-los é necessário, ou a megalomania perde o controle e o nível de obliteração de grandes centros urbanos pode chegar no nível Michael Bay…por bom senso, ninguém deve chegar no nível Michael Bay.

São nos momentos em que o longa flerta com uma enorme sinfonia de destruição, que a Marvel prova ser diferente e manda um enorme recado pra concorrência. Sim, é possível, fazer seus super heróis se importarem com os civis que podem acabar sendo vítimas em meio ao caos de prédios demolidos e cidades sendo erguidas por campos eletromagnéticos. Ouviu DC!?

Veronica <3 <3

Veronica

Joss Wheadon é um cara que sabe que não importa o quão grande sejam as batalhas, se a audiência não conseguir se relacionar com os caras que estão na linha de frente. O grande trunfo do roteiro é a importância que o mesmo dá para o aprofundamento de seus personagens. Sim, por mais que haja essa necessidade de criar uma ameaça em escala global, é exatamente nos pequenos diálogos que a fita encontra suas virtudes. É quando vemos nossos heróis despidos de suas armaduras e com a guarda baixa, que temos a oportunidade de acompanha-los questionando suas escolhas e refletindo sobre suas vidas pessoais. Quando parece que o longa está flertando com um perigoso caos, logo somos puxados pra perto e vemos nossos heróis de forma mais intima.

Quer ver um exemplo? A maneira com a qual somos apresentados a uma nova faceta do Clint Barton, se mostra um do maiores acertos do longa. De personagem subaproveitado no primeiro filme, o Gavião Arqueiro interpretado brilhantemente por Jeremy Renner, é alçado ao status de personagem mais importante nessa sequência. Temos a oportunidade de acompanhar a jornada de um homem entre deuses e monstros, tentando salvar o mundo a tempo de voltar pra casa pra jantar com sua família. Ele tem as melhores sacadas, os melhores diálogos e a responsabilidade de trazer humanidade ao grupo.

Clint Barton, precisa voltar pra casa pra  fazer algumas reformas.

Clint Barton, precisa voltar pra casa pra fazer algumas reformas.

O roteiro de forma acertada, parece priorizar os personagens que ainda não tiveram suas aventuras solo. Outra beneficiada por essa diretriz narrativa é Natasaha Romanoff. Temos a oportunidade de ver Scarlett Johansson, explorado outro lado da personalidade da Viúva Negra. Emocionalmente mais acessível, conhecemos as cicatrizes deixadas pelo rigoroso treinamento a qual a ex-assassina da KGB foi submetida. Seu relacionamento com Bruce Banner também é um dos aspectos mais bem explorados pelo texto. Sem jamais parecer forçado e beneficiado pela ótima química entre Mark Ruffalo e Scarlett Johansson, a tensão sexual entre os dois é evidente e a interação entre eles é uma das melhores.

O Dr. Bruce Banner, ainda mais assombrado pelo Hulk e pela consequência de seus atos, demonstra o quanto o Mark Ruffalo é o cara perfeito para o papel. Ruffalo atua como se estivesse sempre no limite emocional, pelo fato de ter que lidar com as consequências da destruição causada por seu alter-ego verde. Essa é sua motivação para se juntar a Tony Stark no projeto Ultron.

Porque Scarlett Johansson nunca é demais

Porque Scarlett Johansson nunca é demais

Essa crise de consciência também é o que move os impulsos heróicos de Stark, desde a sua origem. De certa maneira, Robert Downey Jr. potencializa esse sentimento, transformando as boas intenções do playboy/bilionário/filantropo em algo dúbio. Downey Jr. está fantástico como de costume, mas dizer isso é o mesmo que dizer que o sol é quente ou que a Scarlett é gostosa. Mas falando sério, aparentemente mais contido, talvez devido as criticas recebidas depois de Homem de Ferro 3, ele continua espirituoso e sempre com um comentário ácido na ponta da língua… Steve Rogers que o diga!  O Capitão América, por sinal, continua antogonizando com essa predisposição do Tony Stark ao totalitarismo corporativista. Chris Evans reforça os fortes valores morais de Sentinela da Liberdade, já dando sinais de instabilidade na relação entre os Vingadores (alguém ai falou em Guerra Civil?!).

A relação entre Ultron e Tony Stark  é algo interessante, pois se forma uma tensão de pai e filho entre os dois. A inteligência artificial é praticamente um reflexo dos aspectos mais controversos da personalidade de Stark – egomaníaco e em busca do corpo perfeito. Ultron se mostra uma grata surpresa. Apesar de não ter tido a oportunidade de ser introduzido nos filmes anteriores, como o Loki no primeiro Vingadores, sua construção é feita de forma rápida, mas eficiente. Graças a soberba imposição vocal de James Spader, escolha mais do que certeira para o papel, Ultron se prova um adversário a altura dos super heróis mais poderosos da Terra.  Megalomaniáco, performático e egocêntrico…lembrou de alguém?

“There is no strings on me”

Graças a ele, fomos agraciados com a introdução de um dos personagens mais legais do Universo Marvel até o momento – o Visão. Com um visual acertadíssimo, o sintetizóide é interpretado por Paul Bettany (que já tinha emprestado a voz ao J.A.R.V.I.S.) e sua introdução no universo compartilhado é feita de forma a causar arrepios e lágrimas no nerd que vive em cada um de nós. Apresentado como um ser etéreo, mas fisicamente dotado de habilidades espetaculares, sua performance em combate é de empolgar qualquer um, principalmente em uma curiosa parceria com Thor. O filho de Odin, vivido por Chris Hemsworth de forma mais leve e divertida, dá mostras de que será um importante personagem para costurar a temática cósmica, que dará o tom aos vindouros filmes da Casa das Idéias.

Outros novos personagens são os gêmeos Maximoff. Resumindo nas palavras de Maria Hill “ele é rápido e ela é esquisita”. Aaron Taylor Johnson não parece tão empolgado ao interpretar  sua versão do Mercúrio (ok Fox…você ganhou dessa vez); enquanto a Elizabeth Olsen esbanja uma sensualidade macabra como Feiticeira Escarlate. As habilidades de manipulação de realidade de Wanda Maxmoff são explorados de forma gráfica e ajuda na fluidez da narrativa. Vai ser curioso observar a adaptação da personagem nos vindouros filmes da Marvel.

Ele é rápido e ela é esquisita

Ele é rápido e ela é esquisita

Embalados pelo duelo de temas compostos por Danny Elfman e Brian Tyer, a trilha sonora  se destaca ao trazer de volta o tema principal do Alan Silvestri. Como vocês podem observar, fazer com que todos esses personagens tenham seus arcos bem desenvolvidos e casando com as grandes sequência de ação, não é uma tarefa fácil. Mas Joss Wheadon consegue com simplicidade trazer coesão para todo esse universo. Vingadores – A Era de Ultron, é tudo aquilo que um fã pode esperar de um filme dos super heróis mais poderosos da Terra. O diretor conclui seu ciclo na franquia e só  resta a nós agredecê-lo por nos mostrar que sonhos podem se tornar realidade. AVERGERS ASSEMBLE!

Obs. 1: Como de costume, fique até o fim dos créditos animados. Ao Infinito e além!

Renan Sena

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