Exterminador do Futuro: Gênesis – Sabotado pelo próprio marketing e por seus roteiristas

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Nos últimos anos, alguns estúdios tem visto com bons olhos a possibilidade de inserir o elemento de viagem no tempo em algumas de suas franquias consagradas. Seja para tentar concertar a cagada na cronologia causada pelas diversas continuações, como em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido; ou pra promover um respeitoso reboot como no caso de Star Trek do J.J. Abrams; a viagem no tempo acaba sendo a uma solução viável e inventiva de solucionar alguns problemas. A franquia Exterminador do Futuro tem esse conceito já enraizada em seu cânone, desde o seu filme de estreia dirigido por James Cameron em 1984. Como repaginar franquias de sucesso parece estar dando certo em Hollywood recentemente, parecia natural acreditar que Exterminador do Futuro: Gênesis tinha tudo pra dar certo – mas não importa se você tem a mãe dos dragões,  o Doctor ou o retorno do robô com sotaque austriaco mais famoso da cultura pop, se você tem um roteiro com mais buracos do que as rodovias brasileiras.

Dirigido por Alan Taylor (Thor: O Mundo Sombrio) e roteiro de Laeta Kalogridis (Avatar) e Patrick Lussier (Fúria Sobre Rodas), essa nova aventura nos leva de volta a aquele futuro pós-apocaliptico, onde após deflagrar um holocausto nuclear, a inteligência artificial Skynet trava uma guerra incansável com os humanos sobreviventes. Depois de uma derrota decisiva, as máquinas resolvem enviar um Exterminador ao passado  com o objetivo de assassinar a mãe do líder da resistência, John Connor (Jason Clarke). John decide enviar seu amigo/pai Kyle Reese (Jai Courtney) para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke) em 1984, mas acontecimentos inesperados no futuro acabam alterando a linha temporal. O cenário é bem diferente daquele descrito por Connor: Kyle Reese acaba se deparando com uma Sarah altamente preparada para lidar com a ameaça das máquinas, tendo em vista que a mesma foi criada por um Exterminador reprogramado que ela carinhosamente chama de Papi (Arnold Schwarzenegger).

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Sarah e o Papi…sério Papi é um nome muito zoado!

A partir desse ponto você está adentrando a zona de spoiler

Gênesis vai na contra-mão de outras franquias que conseguiram se beneficiar dessa dinâmica de viagem no tempo, criando um material novo e ainda assim respeitoso com seus antecessores. Não me entenda mal, os primeiros minutos  do filme  são quase uma reconstrução fiel do primeiro ato do longa original, mas o problema está em conseguir construir uma narrativa sólida que não precise de auto-referências pra se sustentar. Mesmo sugerindo uma nova linha temporal, o roteiro não só deixa de desenvolver as novas ideias, como essas anulam e basicamente contradizem os filmes anteriores.

 A direção do Alan Taylor é sem personalidade, abordando um apocalipse com um tom mais brando por conta da censura – não esperem ver os peitinhos da Emilia Clarke quando ela for viajar no tempo. Seus planos são concebidos numa tentativa de emular o estilo de James Cameron nos filmes originais. As sequências de ação dirigidas por Taylor não encontram um equilíbrio entre CGI e efeitos práticos, como fica claro na cena de perseguição de dois helicópteros, fazendo manobras absurdas; ou até mesmo naquela com um acidente envolvendo um ônibus escolar na ponte Golden Gate.

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Queria mais Matt Smith </3

Se você conseguiu se manter alheio a todos os trailers e materiais de divulgação liberados pelo estúdio, possivelmente a grande reviravolta do roteiro pode ter te surpreendido – sim, John Connor voltou como um Exterminador – mas é a partir desse momento que as inconsistências do texto se mostram mais claras.  Todo o fator surpresa da revelação do antagonista foi sabotado durante a campanha de divulgação do filme. Kyle Reese e Sarah Connor chegam em 2017 para destruir o Gênesis, mas John Connor, em sua versão maligna e geneticamente modificada em nível celular pela Skynet,  não se importa em tentar matar seu pai e sua mãe, mesmo antes dos mesmos o conceberem e antes dessa porra toda fazer algum sentido…”anomalias temporais” são desculpas de roteirista preguiçoso e esse é um recurso muito utilizado.

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O vilão não consegue transmitir um senso de perigo como o T-800 no longa original  e seu design composto de nanopartículas não chega a representar uma revolução visual, como o T-1000 de metal líquido na sequência. Por mais que o Jason Clarke seja um bom ator, falta um pouco de autoridade e é preocupante perceber que mesmo  com toda a tecnologia ao seu alcance, ele não consegue colocar uma máquina do tempo pra funcionar, enquanto Sarah Connor e seu T-800 de estimação conseguem construir uma com sucata.

Os protagonistas se esforçam em reviver essas figuras icônicas da cultura pop, mas esbarram na falta de personalidade do roteiro ou em suas limitações próprias.  Jai Courtney nunca foi conhecido pelo seu carisma, seu Kyle Reese tem uma devoção um pouco exagerada a John Connor e sua mãe, tudo parece um pouco forçado. Mas em geral, seu personagem está tão confuso quanto nós e ele acaba sendo o responsável por nos guiar.

 Mesmo que a Emilia Clarke faça de tudo para encarnar uma Sarah Connor forte e independente, as circunstâncias não colaboram para tornar isso crível. Em 1991, Linda Hamilton era capaz de nos fazer acreditar que a mãe de John Connor era uma mulher decidida a impedir o Apocalipse; já nessa versão quando a heroína surge e grita a frase “Venha comigo se você quiser sobreviver!”, a vontade que temos de responder é “Owwwwnnnn, claro que vou, sua linda! Que fofa! Ela quer impedir o apocalipse!”. Falta senso de urgência e perigo para embarcamos nessa aventura.

Ele prometeu que iria voltar

Ele prometeu que iria voltar

Quem parece ignorar todos esses problemas é Arnold Schwarzenegger. Visivelmente feliz por voltar a franquias que o consagrou, seu T-800 mais velho é uma das poucas coisas que salvam nesse reboot. Por mais que tenha sido entrgue a ele os diálogos excessivamente expositivos explicando as dinâmicas da viagem do tempo, o ator dribla qualquer adversidade com seu carisma e nos diverte, principalmente nos momentos em que seu T-800 tenta parecer mais humano. Arnold prova mais uma vez que pode estar velho, mas não obsoleto.

 Exterminador do Futuro: Gênesis acaba se provando apenas uma tentativa do estúdio de continuar abusando da nostalgia dos fãs pra conseguir dinheiro. Usando um pouco de suspensão de descrença e relevando todas os furos do roteiro,  é possível se divertir, mas o resultado é muito aquém da obra revolucionária de James Cameron. A um tempo atrás quando o T-800 prometeu que iria voltar, nós não pensávamos que seriam tantas vezes…acho que já é hora de parar.

Obs.: Tem uma cena durante os créditos…não que isso seja muito relevante ou surpreendente.

Renan Sena

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Um comentário sobre “Exterminador do Futuro: Gênesis – Sabotado pelo próprio marketing e por seus roteiristas

  1. […] ínicio da projeção. Com certeza, o melhor exemplo do potencial dessa tecnologia…desculpa Exterminador do Futuro Gênesis. Fica a nossa expectativa para que a Marvel adapte as aventuras clássicas do Homem Formiga e da […]

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