Sense8 – Porque diversidade nunca é demais

sense8_wallpaper_by_alexlima1095-d8xiqy9

Desde o lançamento de Matrix, muita expectativa foi criada em torno dos trabalhos dos irmãos Wachowski. Tratados como gênios, os dois nunca foram capazes de repetir o sucesso e as críticas negativas passaram a acompanhar o lançamento de cada um de seus novos filmes (de Speed Racer até o recente Ascensão de Jupíter). Agora em busca de redenção, Larry e Lana Wachowski encontram na Netflix uma parceira para transformar sua visão política em uma obra serializada. Sense8 representa o melhor trabalho recente da dupla.

Em 12 episódios acompanhamos 8 estranhos ao redor do mundo, que inexplicavelmente passam a ter um elo mental. Tudo começa quando Angélica (Daryl Hannah) em um ato de desespero para fugir de um homem misterioso, chamado Sr. Sussurros (Terrence Mann), decide por um fim a sua vida. Mesmo em lugares diferentes e sem nunca terem se conhecidos, essas 8 pessoas aleatórias começam a dividir suas emoções, pensamentos e habilidades. A principio a única coisa em comum entre eles, são os encontros com Jonas (Naveen Andrews, mais conhecido como Sayd de Lost) alertando-os de um perigo eminente. A premissa da série basicamente acaba girando em torno desse conceito.

Aproveitando a famosa liberdade criativa oferecida pela Netflix, os Wachowski em parceria com J. Michael Straczynski, apostam no desenvolvimento de seus personagens. Explorando essa  necessidade, inerente a natureza humana, de compartilhar amor e se sentir conectado a um semelhante. Essa primordialidade se aplica a todos nós, independente gênero, religião, etnia ou preferência sexual. Somos todos seres humanos e qualquer tipo de padrão estabelecido culturalmente, se torna insignificante  quando nos damos conta disso.

sense8

Vamos falar de diversidade

A diversidade é o cerne de Sense8 e isso é ilustrado na forma como cada uma das sub-tramas se desenvolvem. Com ares de ficção cientifica, vários gêneros acabam se misturando – temos uma série policial americana, uma dramédia de farsa mexicana, uma drama de prisão coreano, um thrilher de vingança alemão, entre outros.

O conceito é bastante ambicioso e temas bastante relevantes são abordados pelos Wachowski, como uma espécie de manifesto político. Desde o drama de aceitação de Lito (Miguel Ángel Silvestre), um astro de filmes mexicano que não assume o relacionamento com seu companheiro Hernando (Alfonso Herrera); os dilemas enfrentados por Nomi (Jamie Clayton), uma hackativista transssexual que ao lado de sua namorada Amanita (Freema Agyeman, sim a Martha Jones de Doctor Who) encara todos os tipos de preconceito; até a história de superação de Capheus “Van Damme” (Aml Ameen), que mesmo convivendo com a pobreza e violência constante, encontra coragem e motivos para sorrir. Racismo, homofobia, violência e todo tipo de desigualdade de gênero ou social são abordados, como um pequeno dedo na ferida da sociedade.

Screen-Shot-2015-05-07-at-5.13.35-PM

E tem a cena da orgia

O desenvolvimento dos personagens e todos os seus dramas pessoais, é o principal objetivo, mas a sensação que fica é que a necessidade de resolver esses pequenos arcos pessoais, tirou todo o foco da construção da mitologia da série e o desenvolvimento da plot principal. A conspiração por trás da perseguição dos sensates ficam em segundo plano, tirando os momentos em que Jonas interage com Nomi ou como policial Will Gorski (Brian J. Smith), alertando-os da presença do implacável Sr. Sussurros.  Ao final da temporada, fica a sensação que assistimos 8 mini-séries condensadas num piloto de 12 horas de uma série de ficção cientifica.

Outra questão que não chega a ser um problema, mas com certeza tira um pouco o espectador da experiência, é o fato da decisão dos diálogos serem quase que inteiramente falados em inglês. Sabemos que o público americano é avesso a legendas, mas para uma série que fala sobre diversidade, seria muito mais interessante ver os personagens se comunicando usando seu idioma pátrio.

sense8-1x02

Hernando e Daniela acabam roubando osm holofotes de Lito

Os momentos de interações, trocas de experiências e habilidades entre os sensates acontecem de forma orgânica , até porque eles ainda não possuem controle total desse elo mental. Com destaque maior para os momentos em que algum dos membros do grupo necessitava das habilidades  de luta da Sun (Donna Bae). Falando nisso, o nível das habilidades dos membros do grupo em geral é bem equilibrada, com cada um provando seu valor ao ceder suas habilidades em prol do grupo…com exceção da Riley (Tuppence Middleton) é claro, ou vocês acham que as habilidades dela como DJ serviriam pra alguma coisa? Também achei que deram uma exagerada nas qualidades atribuídas ao Wolfgang (Max Rielmet). Nos episódios finais ele era praticamente um exercito de um homem só, capaz de dar cabo de toda a máfia de Berlim, mas como ele ficou badass, a gente releva.

Os momentos de ação se destacam, principalmente nos episódios dirigidos pelos Wachowskis, Tom Tynkwer ou James McTeigue , além de valorizar o trabalho de fotografia e montagem ímpar da série . Cenas como a gravação da cena de luta no filme de Lito, ou o embate final de Capheus contra os warlords locais são fantásticas. Vale elogiar também os esforços da série quanto a ambientação de todos os seus núcleos, brilhantemente fotografados  ao redor do globo em nove cidades localizadas em oito países diferentes: Chicago, San Francisco, Londres, Berlim, Seul, Reykjavík, Cidade do México, Nairobi e Mumbai.

A série já é considerada um fenômeno nas redes sociais, mas por mais que o hype seja enorme, falta um pouco de equilíbrio na primeira temporada de Sense8. Falta aquele algo a mais que colocaria a série ao lado de House of Cards e Demolidor no nível de qualidade das obras produzidas pela Netflix. Esse primeiro ano serviu para despertar nossa curiosidade, nos resta a expectativa para a segunda temporada.

Renan Sena

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s