Capitão América: Guerra Civil – O melhor filme do MCU e muito mais

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12 filmes depois, muitos diziam que a fórmula de universo compartilhado da Marvel começava a mostrar sinais de desgaste. Eu , particularmente, não poderia discordar mais desses profetas do apocalipse que afirmam que o “gênero de super heróis” está em declínio e que a Disney/Marvel só faz filmes repetitivos. Os irmãos Russo já tinham calado esses críticos do mainstream em Capitão América: o Soldado Invernal, quando fizeram um thriller de espionagem protagonizado por super heróis que desafiava qualquer rótulo pejorativo.

Joe e Anthony Russo eram a opção óbvia para dirigir a sequência que prometia colocar o Sentinela da Liberdade em rota de colisão com o Homem de Ferro, em Capitão América: Guerra Civil.  A expectativa era enorme, não só pelo fato de ser uma adaptação de uma das sagas mais cultuadas da história recente dos quadrinhos, mas também por ser o primeiro filme com participação do Homem Aranha, fruto da parceria Disney/Sony. O que vemos em tela é a representação máxima da essência do Marvel Cinematic Universe, um filme que certamente já tem um lugar guardado na história da cultura pop.

O roteiro da dupla Christopher Markus e Stephen McFeely, ecoa os acontecimentos trágicos da destruição em Sokovia ocorrida em Vingadores: A Era de Ultron e as fatalidades que se sucederam após a última missão da equipe liderada por Steve Rogers (Chris Evans) na Nigéria. Os governos do mundo, através do Secretário de Estado Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt), querem que os Vingadores deixem de ser uma organização autônoma e passem a agir sob tutela das Nações Unidas.

Tony Stark (Robert Downey Jr.) consumido pela culpa de suas ações se posiciona a favor da assinatura do Tratado da Sokovia, já Steve Rogers se recusa devido a sua recente experiência trabalhando sob supervisão de uma organização governamental. Os heróis mais poderosos da Terra se dividem e escolhem um lado nesse conflito ideológico que se intensifica com a notícia de que Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan), é o responsável por um atentado terrorista.

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De forma inteligente, os irmãos Russo apenas se apropriam de alguns elementos fundamentais da saga escrita por Mark Millar, até porque o contexto do conflito é diferente e eles preferem abordar os 8 anos de bagagem que a franquia já possui. Contando com esse engajamento e identificação do público com todos os heróis apresentados até agora no MCU, o roteiro não precisa perder tempo com introduções ou histórias de origem.

É bem verdade que a semente do antagonismo das visões de heroísmo de Tony Stark e Steve Rogers, já havia sido plantada e regada por Joss Wheadon nos primeiros Vingadores. Os diretores sabem explorar isso e apostam num mergulho mais  profundo no desenvolvimento do arco dramático de seus personagens, trazendo consequências para suas ações e relacionamentos.

Não seria exagero da minha parte afirmar que todos entregam suas melhores performances na franquia, a começar por Robert Downey Jr. Em sua sétima participação na franquia, o ator surpreende ao explorar uma nova faceta do gênio, playboy, filantropo e bilionário. Seu Tony Stark está disposto a abrir mão da responsabilidade de direcionar o grupo, pois  os fardos de traumas do passado e a culpa são pesados demais. É um personagem quebrado, que não tem mais as pessoas que ele ama por perto e não acredita mais que pode resolver os problemas do mundo com um exército de armaduras e uma inteligência artificial. Depois de anos guiado somente por seu ego,  tudo vem a tona e ele acredita que assinar o Acordo é a coisa certa a se fazer.

Do outro lado do conflito, acompanhamos Chris Evans construindo um Capitão América cada vez mais fiel e pragmático em relação a seu senso de justiça. Se tem algo que ele aprendeu com a queda da SHIELD, é que a corrupção é uma característica inerente a qualquer órgão governamental, portanto ele não acredita na capacidade das Nações Unidas para guiar os Novos Vingadores em combate.  Assim como Tony Stark, a situação se torna mais pessoal quando introduzimos o Soldado Invernal no conflito. Bucky é o único remanescente de seu tempo e Steve ainda confia na possibilidade de recuperar sua consciência. Por acreditar na liberdade, acima de tudo, o Bandeiroso está disposto a se rebelar e tomar medidas não ortodoxas.

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É um conflito ideológico muito bem definido e a abordagem dos irmão Russo não é tendenciosa para nenhum dos lados do confronto, o que não permite que a audiência consiga tomar partido. É nas nuances da atuação do numeroso e talentoso elenco, que a cisão do grupo se justifica. Nos diálogos muito bem escritos pela dupla de roteiristas, entendemos que não existe “certo” ou “errado”, apenas visões diferentes que deveriam ser conciliadas para evitar um confronto que só iria causar dor para os dois lados. Qualquer semelhança com a situação política do Brasil é mera coincidência, mas apenas divago…

Obviamente os holofotes estão voltados para o Capitão América e Homem de Ferro, mas é impressionante como cada personagem evolui e contribui para o desenvolvimento da narrativa. Visão, Feiticeira Escarlarte, Viúva Negra, Máquina de Combate, Falcão, Homem Formiga (esse rouba a cena em todas as suas aparições) e Gavião Arqueiro tem seus arcos desenvolvidos e uma curva de aprendizado bem definida. Gostaria de me estender mais falando sobre eles individualmente,mas vou me ater às duas excelentes adições ao universo Marvel.

Primeiro, vamos elogiar o estreante Chadwik Boseman em sua participação como o novo regente de Wakanda e Pantera Negra. T`Challa é introduzido de forma extremamente eficaz e funciona como um reflexo de sentimentos conflitantes dos protagonistas. Sua capacidade de luta e postura régia, é exatamente o que os fãs esperavam do Rei Guerreiro da nação mais avançado do mundo. Já que o assunto é diversidade, seria muito legal ver o personagem assumindo um papel central nos próximos filmes da Casa das Ideias e cresce a expectativa para seu filme solo, dirigido pelo excelente Ryan Coogler.

Mas vamos ser sinceros, a única participação especial que realmente importava para nós era a do Homem Aranha e ela não decepciona. Quem acompanha o blog, sabe que eu vejo méritos nos trabalhos do Tobey Maguire e Andrew Garfield, mas não seria exagero da minha parte dizer que Tom Holland é a melhor encarnação do escalador de paredes e olha que ele nem tem muito tempo de tela.  O teioso é introduzido de maneira genial em um simples diálogo entre Peter Parker e Tony Stark, sem a necessidade de contar sua história de origem, entendemos todas as suas motivações e rapidamente nos apaixonamos pelo personagem. Ele é um nerd, sem dinheiro, fissurado por tecnologia que por acaso foi picado por uma Aranha radioativa e ganhou super poderes. Ver o personagem em ação, deslumbrado por estar na presença de outros super heróis e não conseguindo esconder sua empolgação, é um sonho se tornando realidade para qualquer fanboy. Homem Aranha e Homem Formiga me representam!

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Um dos maiores problemas dos filmes da Marvel, sempre foram os vilões. Além do Loki do Tom Hiddlestone, todos os antagonistas do universo cinematográfico eram construídos de maneira unidimensional, com motivações megalomaníacas e atuações caricatas. Sendo assim, Helmut Zemo, interpretado por Daniel Brühl, acaba sendo uma grata surpresa. Muito diferente do Barão Zemo das HQs, o personagem é produto das ações dos Vingadores, um reflexo do Acordo Da Sokovia. Seu plano pode até soar um pouco exagerado, mas a frieza no olhar de Brühl é capaz de nos convencer que aquele é um homem que não tem nada a perder. Ele destrói a estrutura dos Vingadores sem precisar de uma Joia do Infinito sequer.

Temos a oportunidade de ver excelentes cenas de ação, grande méritos dos Russo Bros. que evitam flertar com uma sinfonia de destruição em massa e tornam todas as lutas muito pessoais. Seja na cena de perseguição do túnel, na fantástica sequência em que os Vingadores se enfrentam no aeroporto – com uma das melhores referências a Star Wars já feitas – ou na extremamente emocional batalha do clímax,  eles conseguem tirar o melhor da habilidade individual dos heróis com excelentes coreografias. Vale destacar também o ótimo trabalho de fotografia de Trent Opaloch, que opta por uma paleta de cores mais frias, mas sem tornar o filme sem vida e personalidade, como alguns filmes recentes de super heróis (estou olhando para você Zack Snyder!).

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Capitão América: Guerra Civil é um filme extremamente equilibrado – ação, suspense, comédia e drama funcionam de maneira orgânica. É um filme que vai fazer você rir, chorar, discutir fervorosamente com seus amigos. Não seria exagero da minha parte dizer que esse é o melhor filme do MCU até o momento, uma representação máxima do amadurecimento desse ousado projeto da Mavel/Disney.  

“E teve boatos que a Marvel estava na pior. Se isso é estar na pior…Porra!”

Obs.: Fique até depois dos créditos como de costume

Renan Sena

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2 comentários sobre “Capitão América: Guerra Civil – O melhor filme do MCU e muito mais

  1. Melhor e mais completa crítica até agora.

    Obs.: eStender 🙂

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