A Vida Secreta de Walter Mitty – Um protesto contra a apatia

Não vou mentir para vocês, nunca fui fã do trabalho do Ben Stiller. Admito ter certo preconceito em relação ao trabalho do rapaz por não ser fã do seu estilo cômico, mas devo admitir sua competência por trás das câmeras, principalmente depois do excelente Trovão Tropical. Em seu quinto trabalho como diretor de longa-metragem, Stiller embarca em uma jornada intimista, que marca um processo de reinvenção do ator/diretor. A Vida Secreta de Walter Mitty é um daqueles filmes capazes de conversar diretamente com o espectador, mas não se enganem com o que estão escrevendo por ai, não é um filme de auto-ajuda.

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O Hobbit: A Desolação de Smaug – A ostentação de Peter Jackson

J.R.R. Tolkien escreveu O Hobbit de forma bastante despretensiosa, estruturando o arco narrativo de maneira bem simples: éramos apresentados a um grupo de personagens, que partiam em uma jornada e enfrentavam diversos desafios para derrotar um dragão, a fim de reclamar para si suas riquezas e recuperar sua antiga morada. Originalmente, o livro de 300 páginas seria adaptado em duas partes, mas a tentação de explorar ao máximo o rico universo construído por Tolkien, fazendo uma ponte com a trilogia do anel e construindo de fato uma hexalogia, aproveitando para faturar mais alguns bilhões em bilheteria foi forte demais. Em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, primeiro capitulo dessa nova trilogia, fomos apresentado a Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) e a companhia dos anões liderada por Thorin, Escudo de Carvalho (Richard Armitage). O resultado foi um longa com os dois primeiros atos bastante arrastados, mas que nos trouxe de volta a Terra-Média de forma bastante aventureira e lúdica. Sabendo que legião de fãs esperava ansiosa pelo segundo capitulo dessa jornada, Peter Jackson sabia o peso da responsabilidade que tinha.

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Carrie: A Estranha – Um dos remakes mais equivocados já feitos

Dois anos após sua publicação, Carrie – A Estranha, primeiro romance escrito por Stephen King, logo ganhou sua adaptação cinematográfica. Sob a tutela de Brian De Palma, a adaptação se mostrou digna do material original, fazendo um profundo estudo de temas como bullyng, sexualidade e fanatismo religioso. O filme se tornou cult e estabeleceu a personagem como um ícone da cultura americana. Além da versão de 1976, o livro foi adaptado mais uma vez em 2002, no telefilme estrelado por  Angela Bettis e Emilie de Ravin (a eterna Claire de Lost). Como você pode perceber, Carrie White não é tão estranha assim ao grande público, portanto a diretora Kimberly Peirce sabia que não teria vida fácil ao aceitar dirigir esse novo remake.

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Jogos Vorazes: Em Chamas – Muito além do puro espetáculo

Fugindo de toda e qualquer comparação a outras obras voltadas para o público jovem, a franquia Jogos Vorazes conseguiu logo em seu primeiro longa, se destacar devido a seu caráter maduro e contestador. É raro observarmos um material, que se assume desde o inicio como blockbuster, ter um cerne político tão elequonte. Em Chamas (segundo capítulo da série), não só abraça essa forte característica como adiciona elementos que desenvolvem de maneira mais corajosa e profunda esse universo distópico e seus personagens.

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Capitão Phillips – Tom Hanks entrega uma das melhores performances de sua carreira

Yoho yoho a pirate’s life for me! Não deve ter nada mais emocionante do que embarcar num navio, desbravando os sete mares atrás de riquezas em aventuras regadas a rum… pehhh (onomatopeia de campainha). A pirataria não é algo tão glamouroso e aventuresco como muitos pensam. No século XXI essa prática de tocar o terror nos oceanos, se tornou habitual na região do Chifre da África, principalmente por grupos de somalianos que pressionados pelos warlords locais, sequestram navios e cargas valiosas ou sua família é estuprada e assassinada (não necessariamente nessa ordem).

Um dos casos de pirataria contemporâneos que ganharam mais destaque na mídia é o do sequestro do navio americano Maersk Alabama, por um grupo de 4 piratas somalis. Essa história rendeu no livro O Dever do Capitão (escrito pelo próprio cpt. Richard Phillips), que despertou o interesse do conceituado diretor Paul Greengrass e Tom Hanks, que decidiram adapta-la para os cinemas em Capitão Phillips. O roteiro de Billy Ray (Jogos Vorazes) nos apresenta a Richard Phillips, um experiente capitão da marinha mercante americana, durante sua viagem pela costa da Somália. A calmaria se transformou em tensão no momento que o cargueiro comandado por Phillips foi abordado por dois pequenos barcos com somalis armados até os dentes. Mesmo adotando todas as táticas de segurança, quatro piratas conseguiram subir a bordo, ameaçando a vida de todos os tripulantes exigindo dinheiro. Quando pensa que conseguiu negociar com os piratas, o capitão é levado como refém durante a fuga. Cabe aos militares americanos, negociar com os sequestradores antes que seja tarde demais.

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Thor: O Mundo Sombrio – Filme digno de um Deus

A adaptação de Thor para os cinemas, certamente era vista com desconfiança e receio pela maior parte das pessoas. Introduzir uma divindade num universo que estava sendo construído pautado em algo aproximado a ficção cientifica, foi a tarefa incumbida a Kenneth Branagh que com seu estilo shakespeariano fez o que antes era considerado impensável. Agora que o grande público tinha sido apresentado ao personagem em seu filme solo e ido ao delírio com  sua participação e de seu irmão problemático em Os Vingadores, estava na hora do Deus do Trovão ter um filme digno de sua importância.

A primeira escolha da Marvel para comandar a sequência foi Patty Jenkins, mas por algumas diferenças criativas com a Casa das Idéias, ela logo foi substituída por Alan Taylor (conhecido por dirigir os melhores episódios de “Game of Thrones”, “Roma”, The Sopranos” e “Mad Men”). Mesmo com a troca de comando, a produção passou por diversas turbulências como a insatisfação do diretor com partes do roteiro (com Joss Whedon sendo chamado as pressas pra resolver o problema), cortes, refilmagens e adição de algumas cenas. Com todos esses problemas era de se imaginar que o produto final ficasse aquém dos filmes da Marvel Studios, mas o resultado foi Thor – O Mundo Sombrio um dos filmes mais equilibrados até então.

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Gravidade – Ficção-cientifica visionária e inspiradora

Alfonso Cuaron é um dos diretores mais talentosos quando se trata em conciliar um grande orçamento a obras com tramas consideravelmente intimistas. O hiato de seis anos desde o fabuloso Filhos da Esperança, foi devido a um trabalho árduo dedicado ao desenvolvimento  de Gravidade. O resultado de tamanha dedicação é uma obra-prima da ficção cientifica contemporânea que mesmo com a simplicidade de sua premissa básica é capaz de fazer o espectador embarcar numa jornada de superação a própria tragédia. Continue lendo