Elysium – Uma verdade inconveniente

A ficção cientifica é um dos gêneros mais críticos da sétima arte. Através de visões distópicas do nosso futuro, são construídos paralelos com a nossa realidade que nos fazem refletir sobre os rumos da nossa sociedade. O diretor sul-africano Neil Blomkamp, surpreendeu o mundo com sua estréia em Distrito 9, fazendo diversas metáforas políticas e morais para mostrar que o preconceito e a segregação racial ainda era algo muito presente na cultura sul-africana.  Estreando em Hollywood com Elysium, o diretor entrega não só um sci-fi critico, como também um thriller da ação empolgante.

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Percy Jackson e o Mar de Monstros – Mistura rasa entre mitologia grega e cultura teen acaba morrendo na praia

Na época do lançamento de Percy Jackson e o Ladrão de Raios eram inevitáveis às comparações com a bem sucedida franquia Harry Potter, pois se tratava de um fenômeno literário bem avaliado pela crítica com uma base de fãs respeitável. A adaptação foi idealizada e dirigida por Chris Columbus (mais uma coincidência com HP), mas o resultado foi desastroso, desagradando público (inclusive os fãs) e crítica. A franquia ganhou sobrevida graças a arrecadação ao redor do mundo (cerca de US$ 137, 7 dos US$ 226 totais), mas Percy Jackson e o Mar de Monstros  se mostra incapaz de justificar essa segunda chance aos Olimpianos.

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Círculo de Fogo – Robôs Gigantes vs Monstros Gigantes + 2500 toneladas de awesomeness

 Kaiju é um termo japonês usualmente utilizado para se referir aos monstros gigantes que se popularizaram na cultura pop nipônica, desde a década de 50, com o sucesso dos filmes do Godzilla. O gênero kaiju-eiga (filme de monstros gigantes) se estabeleceu e foi incorporado quase que integralmente pelo gênero Tokusatsu (filmes e séries live-action de super-heróis) e se espalhou pelo mundo, fazendo um sucesso estrondoso principalmente na América Latina. Pergunte a qualquer um que viveu nos anos 80 e 90 e observe o sentimento nostálgico sempre que a pessoa menciona séries como Ultraman, Kamen Raider Black, Jaspion e até mesmo a ocidental Power Ranger (por que não?). Não existem adultos maduros quando se trata de monstros gigantes enfrentando robôs gigantes, Guillermo del Toro sabe disso e transforma essa premissa simples e divertida em algo grandioso em  Círculo de Fogo.

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Wolverine: Imortal – Não morre no final

Foram necessárias diversas sessões de terapia, consultas com especialistas em hipnose, doses de anti-depressivo e até mesmo lobotomia…mesmo assim até hoje muito fãs acordam gritando desesperados no meio da noite pois tiveram um pesadelo – eles estavam na sala de cinema assistindo X-Men Origens: Wolverine. Após esse desastre de proporções apocalípticas, muitos acreditavam que qualquer possibilidade de um filme solo do carcaju estava morta e enterrada, but the show must go on e se a Fox quiser continuar adaptando os quadrinhos dos X-Men, novos filmes devem ser produzidos ou os direitos voltam para a Marvel/Disney. O estúdio da raposa sabe do potencial financeiro da franquia, então Wolverine – Imortal chega aos cinemas com a inglória missão de devolver a dignidade a um dos personagens mais queridos da nona arte.

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Homem de Aço – Menos Super, mais Man

A figura do Superman é certamente uma das mais importantes da cultura pop mundial.  Adaptações da obra máxima de Joe Shuster e Jerry Siegel já foram feitas para as mais diversas mídias ao longo dos 75 anos de existência do personagem, sempre mantendo elementos mais icônicos de seu cânone, mas fazendo revisões e atualizações devidas para encaixar o herói no contexto da época. No cinema, o herói tem uma carreira marcada por longas irregulares. Enquanto Superman I e II foram um sucesso arrebatador de público e crítica, garantindo a Christopher Reeve um espaço do Olimpo hollywoodiano, Superman III e IV foram definitivamente filmes digno de esquecimento, mas mesmo assim a imagem do herói conseguiu se manter intacta e permanece viva no imaginário dos fãs. Os fãs achavam que não dava para piorar,mas Bryan Singer provou que dava e fez  Superman : O Retorno – não vou me alongar nesse assunto pois esse filme ainda faz parte dos meus pesadelos mais sombrios.

Enquanto a Disney ri a toa e enche os cofres com suas adaptações do Universo Marvel, a Warner percebe que é hora de trazer de volta o pai de todos os super heróis e da mostras que aprendeu algumas coisas com o fim da aclamada trilogia do Cavalheiro das Trevas e o resultado catastrófico de Lanterna Verde – nada mais óbvio que dar carta branca aos profissionais mais visionários do seu quadro de funcionários. Homem de Aço chega conduzido por Zack Snyder e sob supervisão de Christopher “FUCKING” Nolan. Estaria o mundo preparado para o Superman?

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Guerra Mundial Z – Reflexivo sem deixar de ser pop

Guerra Mundial Z tinha tudo para ser o maior fracasso comercial da temporada. Produzido pela Paramount em parceria com Plan B (produtora de Brad Pitt),o filme passou  por diversos problemas ao longo de diversos estágios da produção. Diferenças criativas fizeram com que o terceiro ato fosse completamente limado e refilmado, gerando um custo adicional ao já alto orçamento, o que acabou dando ao longa o status de mais caro filme de zumbi produzido na história. As expectativas eram as mais desanimadoras possíveis, mas por incrível que pareça o produto final é fantástico.

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Universidade dos Monstros – Pixar eu te amo!

Tenho um carinho enorme pela Pixar e todos os seus filmes (exceto Carros 2). O estúdio que surgiu inovando com o conceito de animação 100% computadorizada, se estabeleceu na indústria por seu primor técnico e fantástico storytelling. Todos os lançamentos são sempre cercados de enorme expectativa e não foi diferente com Universidade dos Monstros, longa que serve como prequel para o clássico Monstros S.A. Confesso que fiquei com um certo receio de ver o estúdio mexer em algo, que ao meu ver era perfeito, mas foi só apagarem as luzes, exibirem os trailers, o sempre aguardado novo curta da Pixar (esse ano foi o embasbacante O guarda-chuva azul) e começar a projeção para todos os meus temores desaparecerem. It’s Pixar bitch!

 Roteirizado por Robert L. Baird, Daniel Gerson e pelo também diretor Dan Scanlon, encontramos Mike Wazowski e James “Sully” Sullivan de volta aos tempos de faculdade, antes de se tornarem a dupla de assustadores mais bem sucedida da história da Monstros S.A. Logo percebemos que essa amizade não surgiu de forma natural, pois a diferença  entre os dois era gritante – enquanto Mike era um aluno modelo, que se esforçava para alcançar seu principal objetivo de ser um dos melhores assustadores da história, Sully se apoiava em seu talento natural e na reputação de sua família para se dar bem. O contraste da personalidade dos dois, acaba gerando um conflito e eles são expulsos do “Programa de Sustos”. A única alternativa para convencer a temida diretora Hardscrablle a aceita-los de volta no programa é se unir a fraternidade OK para vencer os Jogos de Susto.

Em tempos onde os estúdios de animação subestimam a inteligência de seu público alvo, a Pixar segue explorando a qualidade e capacidade de sua equipe criativa ao máximo. Como de costume eles seguem surpreendendo e usando arquétipos de gêneros consagrados e transformando o produto final em algo absolutamente novo e inesperado. Dessa vez eles se apropriam de elementos próprios de “college movies” e fazem sua versão do clássico “A Vingança dos Nerds” só que com monstros, obviamente.  Quando você acha que tudo se encaminha para algo familiar e previsível, a narrativa envereda para algo completamente inesperado e te pega desprevenido. A intensidade emocional conferida a dupla principal é a principal responsável por esse trabalho.

Como não amar Mike Wazowski?

Como não amar Mike Wazowski?

Mike e Sully são construídos  de forma rica e de forma imaginativa, seus traços de personalidade são refletidos em sua linguagem corporal, tornando-os figuras facilmente identificáveis. Desde pequeno, Mike teve que compensar o fato de não ser “assustador” o suficiente, sempre enfrentando suas limitações e demonstrando uma enorme força de vontade e foco para conquistar seus objetivos. Sully esconde seus medos de não conseguir alcançar o sucesso e cumprir as expectativas criadas em torno dele, atrás de uma “máscara” narcisista e egocêntrica. Assistimos uma relação de rivalidade, se transformar em uma frutífera amizade enquanto os dois enfrentam os mais diversos obstáculos e acompanhamos esses personagens amadurecerem juntos em meio as adversidades.

Além da dupla principal, o  filme é repleto de personagens adoráveis, mas com certeza a equipe da Oozma Kappa, a fraternidade menos cool do campus, é a responsável pelos momentos mais divertidos do longa. Por mais que algumas gags isoladas soem forçadas, todos eles são muito bem construídos, servindo como as mais diversas caricaturas geeks,  e fornecem um excelente alivio cômico.

Como sempre o primor técnico na construção dos ambientes e personagens se mostra presente. Tudo é desenvolvida para criar um senso de textura quase táctil, que vai desde a pele escamosa, da carapaça ou da pelagem de alguns monstros. Os ambientes são construídos sob uma perspectiva de iluminação e sombra fantástica (reparem na cena em que os monstros estão em fuga na floresta). Tudo isso embalado pela trilha sonora pontual de Randy Newman que constrói uma atmosfera contagiante.

Universidade dos Monstros é um filme sólido que possui o padrão Pixar de qualidade. Por mais que o filme não tenha a pretensão de ser profundo, como os outros clássicos do estúdio, ele possui objetivos variados e consegue alcançá-los com sucesso. Dialogando com crianças e adultos  sobre o significado da honestidade, humildade e respeito, é possível sentir empatia com a situação vivida pelos personagens e criar um paralelo interessante com nós mesmo. A Pixar pode não manter a velocidade de tempos atrás, mas a técnica ainda é fantástica.

Renan Sena