The Endless River – Pink Floyd

Quem imaginaria que depois de 20 anos de inatividade o Pink Floyd estaria lançando um novo álbum? Nem os fãs mais otimistas imaginariam isso. Devido a morte de Richard Wright em 2008, qualquer sussurro sobre uma nova reunião estava descartada, porém o inesperado acontece e é anunciado o lançamento de The Endless River, o décimo quinto álbum de estúdio da banda. Claro que as expectativas são enormes, então eu ouvi o disco e resolvi fazer essa resenha demonstrando minha opinião sobre o álbum para vocês.

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JACKDEVIL – Unholy Sacrifice (2014)

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JACKDEVIL…já falei dos caras e da trajetória deles num post antigo (deixarei o link no fim do texto) e agora venho analisar e falar mais sobre o debut álbum intitulado Unholy SacrificeO esperado disco traz como inspiração os contos do mestre do terror Stephen King e já estava dando o que falar antes mesmo de ser lançado. Eu comprei o disco na pré venda e quando chegou  eu fiquei abismado com os quadrinhos no encarte que retratam cada música do cd, muito bonito mesmo, a arte da capa também é muito bonita, mas agora vou deixar a estética de lado e vou ao que interessa… A MÚSICA! Continue lendo

Coldplay – Ghost Stories (2014)

Ghost Stories (2014)

 

As vezes você faz uma banda com um propósito e foco em um estilo e acaba sendo reconhecido por isso,  é normal querer dar uma inovada de vez em quando, mas os exageros acabam se tornando fatais para tal banda. O Coldplay é uma banda muito famosa nos anos anos 2000 até hoje e ela passou por fases diferentes e lançou discos ótimos que me fez criar um apego fácil pela banda; Os discos Parachutes (2000) e A Rush Of Blood to the Head (2002) demonstravam o enorme potencial dessa banda, que juntava o rock com elementos bem calmos (até depressivos), melodias bem harmonizadas, letras bonitas e uma incrível produção. A mudança para o universo mais pop surgiu no X & Y (2005), ainda sendo um disco muito bom, com  destaque para Fix You. Já em Viva la Vida or Death and All His Friends(2008)   e Mylo Xyloto (2011) o pop domina de fato, com algumas baladas, porém a banda já está visivelmente diferente do estilo de seus dois primeiros discos, se voltou pro lado comercial e abandonou sua essência, teve ainda várias acusações de plágio… mas conquistou um universo muito maior de fãs e é considerada uma das maiores bandas pop da atualidade. ( Eu particularmente não gosto nenhum pouco do “Mylo xoxota” – como eu mesmo digo- acho muito alegrinho e fraco demais)

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Gallo Azhuu: A coisa mais alucinante, visceral e pura que o rock pode criar.

gallo azhuu

Um soco no estômago. Você sabe o que é sentir isso ? É basicamente  o que você terá ao ouvir esta banda pela primeira vez, uma enorme pancada no seu ser, como se cada riff fosse mais um soco, fazendo você ficar  alucinado por esse som completamente paranóico vindo da ilha  de São Luís (MA). Essa banda é  chamada de Gallo Azhuu.

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Jackdevil : Thrash Demons Attack!

Como primeira publicação da nova coluna musical e minha apresentação, eu acho muito válido falar sobre uma banda revelação no cenário “underground” do Heavy Metal brasileiro, a JACKDEVIL. A Banda é pioneira do movimento “New Wave of Brazilian Heavy Metal” e é uma das promessas da cena nacional do Metal para os próximos anos.

A Jackdevil surgiu no ano de 2010 e conta na sua formação :André Nadler (vocais e guitarra) Ric Mukura (Guitarra solo) Filipe Stress( Bateria) e Renato Speedwolf (baixo) , músicos sobreviventes  da caótica ilha de São Luís (MA) em meio a um cenário muito desvalorizado na cena do Rock em geral, e ela veio para quebrar paradigmas e várias opiniões erradas sobre a qualidade dos músicos brasileiros e nordestinos dos dias atuais.

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Som e Barulho – Após uma longa pausa de milhares de compassos

Após uma longa pausa de milhares de compassos, cá estou eu novamente para dar meus pontos de vista do nosso mundo musical. Só não vou pedir desculpas por esse silêncio todo aos meus fieis leitores porque eles não existem. Confesso que estou um pouco atrasado sobre os novos lançamentos e acontecimentos do mercado: lançamento de CD do Thalles, do Oficina, do Simoninha, do D2, nova música de John Mayer , 30 anos de carreira do Zeca Pagodinho, mais uma edição do BMW Jazz, o programa Por Trás da Canção, novos nomes surgindo na MPB e até CD novo do Eric Clapton e do Black Sabbath, com direito a Ozzy liderando novamente a banda rumo a liderança de vendas nos EUA e no Reino Unido!

Isso tudo só pra mencionar o que vem na cabeça de primeira… Obviamente não vai dar para falar sobre tudo isso de uma só vez, então vamos deixar o que passou de lado e vamos analisar um a um os recém-lançamentos que estão sendo divulgados atualmente. Vamos começar pelo poderoso mercado gospel. Ouça quem tem ouvidos de ouvir: “Sejam cheios do Espírito Santo” de Thalles Roberto.

O CD começa com um interlúdio de cordas muito bem trabalhado e que introduz uma linda balada vestida de jazz gospel, onde o autor, em letra, agradece o sucesso que tem feito e “encaminha”, se assim podemos dizer, toda a exaltação destina a ele para Deus. Se o CD começa calmo, limpo e tradicional, na terceira música, “Ele é o amor”, caímos no pop pesado e conhecido de Thalles, com direito a rap e tudo. MAS QUE MERDA É ESTA??? Foi o que eu pensei ao ouvir a próxima música do CD, onde Thalles incorpora Seu Jorge com Netinho de Paula e faz uma cagada num CD que vinha agradando… A merda toda é que essa música dá nome a obra toda… Enfim, pulemos o domingo da gente para ouvir outra coisa, e a coisa vai ficando surpreendentemente eclética.

De volta à normalidade, mais uma balada onde ele se dirige diretamente: “pai, eu sou assim… pai, me ajuda… pai, eu te amo…” Mas não é de todo mal, a música é boa, arranjo bom, para agradar um pouco aos rockeiros de plantão, ela tem uma pegada bem Cássia Eller. Ao final dessa música a artista simplesmente surta e começa a gritar desesperadamente (só estou comentando isso porque não foi nada musical). A sexta música vem para corroborar minha íntima opinião de que o Thalles está se perdendo em meio a sua esquizofrênica e exagerada maneira de interpretar, música também é bom senso. 7ª música e uma introdução ao piano, os nervos relaxam novamente em nossa percepção e na voz do cantor, dando a impressão de que o produtor a colocou aí para quebrar a agressividade do CD. Agora desintoxicados pelos dedilhados do piano, podemos apreciar uma das melhores músicas do CD, que com certeza será sucesso nos próximos shows: “Paixão de Adolescente”. Passados alguns minutos me deparo com: “Filho meu”, que seria Deus se dirigindo ao seu filho, o detalhe é que a música é tão agressiva que a incoerência reina plena… Seguimos procurando o surpreendente da música no CD. Última música (sentimento de alívio, confesso) e groove bom de ouvir!!! Era isso que eu queria desde o começo e depois de uma hora e dez minutos encontrei.

Apesar de uma ou outra música agradar, o CD não surpreende, Thalles parece ser mais um de alguns muitos artistas que estouram e não conseguem se manter no bom nível que os levou a projeção de sucesso, muitos outros artistas passaram pelo mesmo processo, sobretudo bandas. O CD é cansativo de se ouvir e de duração longa, parece interminável, talvez o fato de ter escutado depois de um dia cansativo de trabalho tenha pesado nos ouvidos e pálpebras, mas o fato é que se tratando de um artista como Thalles Roberto, em um CD com músicos e profissionais de alto nível, nós esperávamos uma produção onde verdadeiras joias sairiam, e não foi isso o que nossos ouvidos com sede de surpresas encontraram. Após decepção com a obra, John Mayer salva a noite com sua mais nova sacada: “PAPER DOLL”… Muito gostosa e leve de se ouvir. E eu que estava quase explodindo de estresse ouvindo Thalles gritar feito um leitão com fome. Fim de papo, na próxima parada a malandragem e irreverência de Marcelo D2!!! Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço, e saravá pra quem é de saravá!!!

Matheus Vieira

Somos Tão Jovens – Renato Russo merecia mais

Muitos consideram a década de 80 como a Era de Ouro do rock nacional. Com o fim da ditadura militar, surgiam bandas de norte ao sul do país sedento para romper as amarras impostas pelo antigo sistema. Eram jovens ousados e sem muito compromisso que usavam suas composições para expressar idéias contestadoras, escancarando a realidade.  Definitivamente, Brasília foi um dos principais pólos do rock nacional – saíram de lá bandas como Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana. Um dos personagens mais icônicos dessa geração com certeza foi Renato Russo e sua intensa jornada é contada em Somos Tão Jovens cinebiografia dirigida por Antonio Carlos de Fontoura.

O roteiro de Marcos Bernstein nos apresenta o jovem Renato Manfredini, um jovem excêntrico apaixonado por poesia, cinema e música. Influenciado pelo movimento punk inglês e por uma necessidade absurda de fazer música, o jovem professor de inglês, decide assumir a alcunha de Renato Russo e se junta aos irmãos Fê e Fábio Lemos para funda o Aborto Elétrico. Acompanhamos a formação do cenário musical brasiliense e a origem do mito por trás dessa complexa figura, passando por episódios marcantes que culminariam na formação do Legião Urbana.

 Um dos problemas mais recorrentes dos filmes do gênero é contornado nessa cinebiografia que consegue narrar passagens da formação do Renato Russo como artista de maneira fluída e natural, mas esbarra na superficialidade desses momentos. O roteiro se preocupa mais em construir um mosaico de curiosidades do que em desmistificar a essência por trás do artista, deixando de explorar os dilemas e motivações que o levavam a escrever suas poesias. Tal fato é notório nos forçados diálogos, recheados de frases de efeito como “festa estranha, com gente esquisita”, “tédio com T bem grande” e “que país é esse?” são proferidas de maneira aleatória na frustrada tentativa de mostrar como o ambiente ao seu redor o influenciava.

Tais descasos do texto em conjunto com a fraca condução do diretor contribuem para as caracterizações um tanto equivocada de alguns personagens. Thiago Mendonça faz um excelente trabalho na composição do seu Renato Russo, capturando os trejeitos e tiques característicos do cantor, mas em alguns momentos sua interpretação foge um pouco do tom. É graças a química entre ele e a Ana, vivida por Lalila Zaid, que se constrói o único relacionamento realmente relevante no longa. Bruno Torres também se sobressai na construção de seu Fê Lemos, uma figura que faz um interessante contraste com o jovem Renato.

O resto do elenco está ali só para preencher espaço e contribuir na identificação dos diversos encontros e desencontros do cenário musical dos anos 80. Em sua maioria os coadjuvantes se perdem em composições caricatas dignas de paródias de programas de comédia. Desafio qualquer um que for assistir o filme não cair na gargalhada toda vez que aparece em cena o Herbert Vianna de Edu Moraes.

Apelando para a nostalgia dos fãs, o longa é recheado de momentos em que Renato Russo se apresenta cantando seus maiores sucessos, mas tais momentos não contribuem em nada para o andamento da narrativa. Suas inspirações para compor são exploradas de maneira pífia, apresentadas em comentários superficiais.

Somos Tão Jovens acaba se provando um produto raso e fetichista. O longa não se compromete em oferecer uma investigação sobre suas motivações e sua natureza contestadora, oferecendo respostas simplistas para uma figura tão complexa. Uma obra que não faz justiça a um dos compositores mais talentosos da música brasileira .

 

Renan Sena